segunda-feira, 2 de junho de 2014

O SUCESSO DA IGREJA


Um prédio para ter ser edificado com boa durabilidade e para não sofrer qualquer dano, precisa ser lançado em bases sólidas e com emprego de material de boa qualidade, o que exige um  empreendedor idôneo.
A igreja tem seu empreendedor, e empreendedor altamente idôneo, a saber, Jesus Cristo, de modo que o resultado de sua edificação será de excelência, pois a obra está garantida por suas próprias palavras: eu edificarei a minha igreja (Mt 16.18).
Se Cristo não tivesse se empenhado pessoalmente na edificação da igreja, o que se poderia esperar desse “empreendimento” espiritual seria sua ruína total, pois os homens não têm idoneidade suficiente para concluir obra tão relevante.
Todavia, como Jesus disse que Ele mesmo edificaria sua igreja, a despeito dos muitos desvios doutrinários e comportamental  de muitas igrejas, o que os crentes fieis podem ficar certos é que a igreja finalmente será trazido à luz com sua realidade vitoriosa.
Todavia, o versículo acima citado indica um fato que muitas vezes foge a percepção geral , a saber, que Jesus não disse que edificaria as igrejas, nem mesmo que edificaria a igreja, mas sim, que edificaria a Sua igreja. Deve ser observado ali o pronome possessivo minha: eu edificarei a minha igreja.
Existem muitas igrejas, é fato, mas Jesus disse que edificaria a igreja dEle, de modo que dá para entender muito bem que Jesus tem a igreja dele que está presente no meio dessa multidão de igrejas que se espalha pela historia e pela terra, embora nem todas possam ser identificadas como sendo Dele.
É importante saber que a igreja de Cristo, a igreja que Cristo edificar, e somente esta, é que as portas no inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18), enquanto as demais no tempo serão vencidas pelas referidas portas.

Ao final da história todos verão que a igreja de Cristo, e somente a dEle é que efetivamente vencerá, de modo que o sucesso da igreja está na sua edificação e não na aparência que vem dos seus números, dos movimentos que produz, dos valores que arrecada ou de coisa parecida com tudo isto.
Lutero Paiva Pereira

domingo, 18 de maio de 2014

DEUS NOS DÁ A VITÓRIA EM CRISTO

Se o pregador quer muitos ouvintes o melhor a fazer é prometer-lhes vitória, mesmo que pela Escritura não esteja autorizado a fazê-lo. Impulsionados por mensagens que prometem vitória do crente sobre tudo e sobre todos, não é de estranhar que os proclamadores dessa proposta se tornaram os mais ouvidos nesses tempos modernos. Pelo número de ouvintes que abrem seus ouvidos a essas prédicas até parece que os crentes formam um bando ou um amontoado de derrotados que sem sucesso algum na vida, esperam uma atuação do céu que mude de alguma forma sua história.  Para que esses sermões sejam ouvidos e cridos a estratégia é: primeiro, levar os crentes a crerem que realmente são e estão derrotados o que, diga-se de passagem, os pregadores dessa teologia fazem com habilidade invejável. A segunda, o sermão deve dizer que Deus quer torná-los vitoriosos qualquer que seja a área, de modo que podem esperar que isso vai acontecer no curto ou no médio prazo. E, finalmente, em terceiro lugar, o discurso deve estar embasado em alguém versículo da Bíblia onde a palavra vitória toma evidência para, mesmo retirando-o texto do contexto, estruturar o sermão como sendo Palavra de Deus.  
Dentre os muitos versículos utilizados para esse fim espúrio está aquele escrito pelo apóstolo Paulo aos coríntios: Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Co 15.57).
Será que a afirmativa desse versículo da Escritura de que Deus nos dá a vitória em Cristo, é base o bastante para defender que através de Cristo Deus dará a vitória que o crente precisa ou deseja ter? É o aludido texto um conforto para quem está derrotado, por exemplo, em suas finanças, carreira profissional ou num vestibular que nunca consegue ser aprovado? Será que se pode esperar que em Cristo Deus trará vitória sobre as dívidas que não se saldam, carreira profissional que não deslancha ou  curso superior que não se consegue cursar, etc.?
A boa interpretação ou exegese diz que não é assim que se deve ler o versículo 57 acima destacado.
Ali Paulo está tratando do tempo em que Cristo voltar para implantar o Reino de Deus na terra, de modo que naquela ocasião os crentes podem estar certo de que serão todos transformados (v.54), de modo que num abrir e fechar de olhos (52), ou seja, rapidamente, seus corpos corruptíveis se revestirão da incorruptibilidade, e seus corpos mortais se revestirão da imortalidade (v.53),  para que desse modo se cumpra o que está escrito: tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu agilhão? (v.54-55).
Esse livramento eterno da morte pelo revestimento do corpo mortal pela imortalidade é uma vitória do crente sobre a morte por causa da obra remidora e salvadora de Jesus Cristo. É nesse sentido que Paulo então escreve: Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo, pois se não fosse por Cristo os crentes seriam eternamente derrotados pelo poder da morte e jamais entrariam no glorioso e eterno Reino de Deus.
Portanto, se tem uma vitória certa assegurada por Cristo aos crentes, na qual eles podem esperar com certeza de alcançar, é que no dia final eles terão seus corpos mortais revestidos da imortalidade e seus corpos corruptíveis revestidos da incorruptibilidade para viverem eternamente com Deus, visto que se não forem revestidos assim, conforme ensinou o apóstolo no mesmo texto, eles não poderão herdar o Reino pois a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção (v.50).
Portanto, graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo, mas vitória que nos outorga as condições básicas indispensáveis para sermos eternos participantes do seu Reino.

Lutero de Paiva Pereira

quinta-feira, 15 de maio de 2014

LIÇÃO DO AREÓPAGO


Qual o fim supremo da pregação?  Dar-se a combater diretamente as propostas pecaminosas que se alastram pela sociedade a cada novo momento ou anunciar a Palavra de Deus em meio a um mundo em caos?
A indagação não é sem propósito, pois tem parecido comum a pregação se prestar mais em combater ou  falar contra o procedimento pecaminoso do homem moderno, do que em anunciar o Reino de Deus aos pecadores.
Com efeito, se a pregação se ocupar em combater cada nova onda de pecado que surge, ficará tão ocupada com isto que jamais encontrará tempo ou espaço para anunciar o Reino.
Talvez seria o caso de pensar, pois é verdadeiro, que o anúncio do Reino de Deus por si só é mais que suficiente para combater o pecado do não crente e a fortalecer a fé do que crê, de modo que a pregação que dele se ocupa cumpre seu duplo objetivo, a saber, alimentar espiritualmente os crentes e despertar o pecador para o arrependimento.
Com efeito, os crentes precisam ter informação do que é ao invés de ficarem cada dia mais informados do que não é, e para combater o que não é a melhor estratégia é falando daquilo que é.
O púlpito deve ser, portanto, o lugar onde a proclamação da verdade da Escritura tem espaço cativo.
O apóstolo Paulo no areópago ensina como ser um apologeta cuidadoso, pois estando num lugar onde a idolatria é notória, ele não se importa em falar contra ela diretamente embora indiretamente o faça. Ele está no meio de pessoas que andam pelo não-caminho, mas sua atuação é apresentar-lhes o caminho. Ele tem diante de si um número razoável de mentes entenebrecidas que precisam conhecer a luz, pois ninguém vê a escuridão a não ser quando a luz o alcança, de modo que é da luz e não das trevas que seu discurso se ocupa.
Paulo tem diante de si uma preocupação: como fazer conhecido o Deus desconhecido? A resposta é simples: apresentando-O àqueles que O ignoram. E para fazer esta apresentação sem se preocupar em criticar ou em maldizer a ignorância de tais pessoas Paulo toma a atitude correta de falar de Deus.
Desta forma, sem agredir diretamente o politeísmo ali caracterizado pelos vários altares, Paulo adota a linha mais sábia de tratar do monoteísmo.
E começando lá no Antigo Testamento o apóstolo expôs a todos o evangelho, pois só no evangelho reside o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).
Esta experiência do apóstolo serve de orientação para os pregadores contemporâneos, que envolvidos por situações que àquela se assemelham devem adotar como linha de conduta o anúncio da verdade, ao invés de ficarem tecendo longos discursos contra a mentira.
Afinal, alguém preso pela mentira dela será liberto somente quando o conhecimento da verdade o alcançar, e para que a verdade seja conhecida é preciso que seja anunciada.
Deste modo, ainda que a cada novo dia comportamentos ou sugestões pecaminosas façam a alma do cristão se sentir incomodada, o melhor que o pregador tem a fazer nestes casos é nutrir seus corações e mentes com a Palavra, pois nada podemos contra a verdade (2 Co 13.8).
Que a orientação do apóstolo dada ao seu discípulo seja acolhida pelo pregador contemporâneo, a saber, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina (2 Tm 4.2), dentro ou fora do areópago.

Lutero de Paiva Pereira