sábado, 31 de dezembro de 2011

PREDESTINAÇÃO


Olhe a predestinação para frente e não para trás, pois o que está por vir é bem mais fácil de compreender do que aquilo que já foi.
Digo isto porque se existisse um levantamento estatístico a respeito dos pontos doutrinários mais controversos da Escritura, predestinação estaria entre aqueles que geraram debates os mais acirrados.
Afinal, o que sobre ele escreveram os intérpretes “iluminados” é bem mais complexo do que a respeito trataram os autores bíblicos inspirados.
Os que negam e os que defendem a predestinação fazem uso de versículos muitas vezes de forma tão forçada, de modo que o esclarecimento torna mais escuro o que já não é claro e complicado o que não é simples.
Predestinação é um daqueles temas que deveria ser estudado à luz de Deuteronômio 29.29  que diz que as coisas encobertas pertencem ao nosso Deus, para que a especulação  fosse contida aos limites estreitos da incapacidade de querer saber o que Deus mesmo não deu a conhecer de forma plena.
O próprio apóstolo Paulo não foi à exaustão sobre o tema, e visto que desejava a salvação dos perdidos se deu mais a pregar o evangelho do que a debater questões teológicas de nenhum efeito prático em termos de predestinação.
Se predestinação é um mistério quanto ao processo como se deu, é bem mais compreensível quando olhada a partir de seu alcance ou objetivo.
Desta forma, será melhor olhar a predestinação para frente, o seu futuro, do que para trás e tentar descobrir como tudo aconteceu no passado.
Para as coisas que têm início e fim se elas não podem ser compreendidas olhando para aquele, isto é, para o início, talvez seja possível entende-la concentrando-se neste, ou seja, no fim.
Afinal, quando se quer encontrar razões que levaram Deus a agir assim ao tempo em que o mundo sequer existia, esbarra-se na grande verdade que escreveu o apóstolo Paulo: Quem compreendeu a mente do Senhor (Rm 11.34)?
Como ninguém compreendeu a mente de Deus fica difícil entender muitos de seus atos, dentre os quais a própria predestinação.  
Considerando que só compreendemos os atos de alguém quando se compreende sua mente, não é de estranhar que não entendemos muitos dos atos de Deus exatamente porque não compreendemos Sua mente, e também porque Ele mesmo não deu informações mais detalhadas a respeito em Sua palavra.
E mesmo os atos divinos que podem ser compreendidos é com muito empenho de estudo, simplicidade de coração e iluminação do Espírito Santo que o homem pode ter algum entendimento, já que a mente da criatura é infinitamente menor do que a do Criador.
Como na predestinação Deus tem um objetivo ou propósito, devemos estudá-la nessa direção porque é neste sentido que a Bíblia parece fornecer mais informações ao leitor.
Portanto, se o objetivo do estudo da predestinação é encontrar razões para acalmar a alma do que incendiá-la, de agradecer a Deus do que discutir com os homens convém observar o que os escritores inspirados têm a dizer neste sentido.
No texto de Romanos 8.29 o apóstolo Paulo observa que a predestinação tem a ver com o objetivo de tornar os salvos conformados a imagem do Filho de Deus, o que demonstra que o seu alvo é conformar o crente a Cristo: Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Aqui predestinação tem como alvo  conformar os salvos a Cristo, e como você foi predestinado sua expectativa deve ser posta neste sentido.
Logo em seguida – v. 30 – Paulo elenca várias coisas com a predestinação, todas elas de iniciativa de Deus, a saber: a predestinação, o chamado dos predestinados, a justificação dos chamados e a glorificação dos justificados, de modo que no fim da predestinação está a glorificação dos filhos de Deus: E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou (Rm 8.30) .
Vê-se, portanto, que a predestinação aqui tem como objetivo final a sua glorificação.
Quando, por outro lado, escreve aos efésios o mesmo escritor demonstra que a predestinação tem como alvo Deus mesmo, já que ele informa que Deus predestinou as pessoas para si mesmo: E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade (Ef 1.5).
Aqui, o seu futuro como predestinado é ser de  Deus.
Portanto, olhar a predestinação para frente, tendo em conta o que será, e não para trás, para saber como ela se deu, é coisa mais certa, mesmo porque além do passado ser muito difícil para ser explicado o futuro é muito glorioso para ser perdido hoje com discussões que complicam quando explicam.
Já que o passado não te pertence mas o futuro te pertencerá, coloque sua mente nas coisas que serão e não nas que já não são.
Lutero de Paiva Pereira

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"DEUS TEM UM PLANO ESPECIAL PARA VOCÊ"

Você é daquele tipo de pessoa que vive insatisfeito porque não descobriu ainda qual o plano especial de Deus para sua vida?
Se for este o seu caso é possível que esta leitura seja útil para melhorar seu estado de alma.
É verdade que muitos dos que vivem sob o drama da ausência de um propósito na vida quando vão à igreja ouvem o pastor dizer: “Deus tem um plano especial para sua vida”.
Esta afirmativa vinda do púlpito coloca o ouvinte em estado de “graça”, e lhe dá ares de alguém realmente muito importante para Deus, elevando de forma perigosa seu ânimo. Afinal, planos especiais indicam pessoas especiais. Logo, o ouvinte pensará silenciosamente em seu coração: "sou especial porque Deus tem algo especial para mim".
Contudo, o tempo passa e o tal plano especial nunca vem ou acontece, o que traz frustração e desânimo, fazendo nascer no coração certa dose de decepção com  Deus que não cumpriu nada de especial em seu favor, conforme o pastor insinuou.
Agora, além de abatido você ainda se torna decepcionado com Deus.
Na verdade a máxima “Deus tem um plano especial para você” não tem fundamento bíblico algum, pois não passa de uma máxima  inventada por alguém que quis se passar por mais sábio que os próprios escritores sagrados, os quais não tiveram segurança alguma em dizer isto quando escreveram suas cartas.
Com efeito, Paulo, Pedro, João e o escritor de Hebreus, nenhum deles fez afirmativa que desse aos seus leitores a ideia de que poderiam esperar o momento em que Deus revelaria um plano especial para cada um deles, pois sabiam muito bem que a coisa não se processa assim.
E se eles, os escritores inspirados pelo Espirito Santo, não afirmaram nada neste sentido, por que é que alguém agora, na condição de simples leitor iluminado, deveria fazê-lo?
Portanto, é totalmente descabido dizer que “Deus tem um propósito ou um plano especial para você”, como se você fosse alguém distinto de todos os outros, a ponto de merecer atenção e tratamento distinto do céu.
Se você sendo uma pessoa comum crê que é especial, o melhor a fazer é rever esta postura  imediatamente, pois não há nenhum  tratamento “vip” celestial proposto em seu favor.
O apóstolo Paulo recomenda que ninguém deve pensar de si mesmo mais do que convém, antes pensar com moderação (Rom 12.3), e quem for moderado neste aspecto verá que não especial a ponto de merecer tratamento incomum de Deus.
Pensar de si mesmo com moderação implica, dentre outras coisas, não julgar-se merecedor de um plano especial de Deus, senão somente da graça manifestada igualmente a todos em Cristo Jesus, a qual por si já se mostra mais que especial.
A pregação, portanto, deve fazer os ouvintes crerem no que efetivamente são, ou seja, pessoas pecadoras, injustas, ímpias sujeitas ao mesmo tratamento divino, e que mesmo sendo comuns foram escolhidas por Deus para serem filhos por adoção através de Jesus Cristo.
Na verdade, o plano especial que Deus tem para você é o mesmo que Ele tem para todas as outras pessoas, a saber: a) que você seja conformado a Cristo; b) que se alegre sempre em Cristo; c) que anuncie a Cristo; d) que cresça no conhecimento de Cristo; e) que  amadureça espiritualmente, etc.,  tornando-se  cada vez mais equilibrado em seu comportamento, desenvolva sua salvação e vida dignamente a altura do evangelho.
Desta forma, não se martirize esperando que um anjo do céu venha lhe dizer algo sobre um propósito especial que Deus tem reservado para você, pois quem fica nesta espera perde  tempo  e nunca chega ao propósito de sua existência, que é viver para glória de Deus, observando os preceitos das Escrituras.
Lembre-se que quando Jesus chamou seus discípulos Ele não disse que Deus tinha um propósito especial para suas vidas, mas simplesmente lhes disse: segue-me.
Ouvir o segue-me de Cristo já é mais que especial para qualquer um.
Portanto, siga a Cristo e encontre o propósito especial de Deus para você que é fazer de você uma nova criatura, cuja mente renovada pela Palavra poderá lhe dar as condições necessárias não só para não se conformar ao mundo, como também para conhecer a vontade de Deus que em si mesma é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2).
O melhor mesmo a saber neste momento é que você não é peça fundamental para o propósito de Deus, mas se torna especial quando passa a fazer parte do Seu propósito.
Não se esqueça que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23), o que  inclui você e todos os outros, mas por obra da graça foram justificados gratuitamente mediante a fé em Jesus Cristo, o que também alcança você e os demais.
Agora que você sabe que não é especial para Deus, viva de forma incomum para Ele que o amou de forma tão especial em Jesus Cristo.
Lutero de Paiva Pereira

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

CUIDE DE SUA MENTE


O desenvolvimento da vida cristã e da maturidade espiritual depende da mente humana, pois por mais estranho que possa parecer a alguns, a fé se assenta em verdades que a mente deve apreender e fazer isto para desenvolver um estilo de vida novo.
O pensamento, algo abstrato, tem no comportamento sua concretude.
Quem nega a sua mente o valor que a Bíblia lhe dá não tem como conhecer o que a Bíblia lhe 
Se a mente não fosse importante ao crente Paulo não teria escrito: pensai nas coisas lá do alto (Cl 3.2).
Observamos em sua carta aos romanos que o apóstolo indica que Deus mesmo usa a mente humana tanto para amaldiçoar o homem, como para abençoá-lo.
No terreno da punição do homem no uso inadequado da mente Paulo diz que tendo em conta que os homens desprezaram o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes (Rm 1.28).
Com uma disposição mental reprovável os homens passam a ter práticas ou atitudes reprováveis tais como: malícia, avareza, maldade, inveja, contendas, dolo, malignidade etc ( v 29 a 31), o que prova que os atos humanos estão conectados a mente.
E o cúmulo de uma mente entregue a disposições reprováveis é que mesmo conhecendo que são passíveis de sentença de morte, tais homens não somente praticam tais coisas, como também aprovam os que assim procedem (v.32).
Assim, ao adotar em sua mente valores e práticas contrárias a justiça divina, o homem desenvolve uma vida torpe o que em si mesma já está carregado de maldição.
Por outro lado, a forma de Deus abençoar o homem através de sua  mente é pelo processo de sua renovação, de modo que tendo uma forma nova de pensar, o homem passa a conhecer a vontade de Deus e a desenvolver práticas santas, o que é abençoador.
Paulo escreve: não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2).
Neste texto Paulo afirma que a vontade de Deus é por si só boa, agradável e perfeita e quem tiver uma  mente renovada será capaz de prová-la a vontade divina como tal.
Portanto, para que o crente experimente a vontade de Deus como algo bom, perfeito e agradável é preciso que sua mente seja renovada, pois sem que a mente passe por este processo nem mesmo o crente saberá avaliar a vontade de Deus com estes predicativos.
Com uma mente renovada e uma forma de pensar nova, o crente terá condições de emitir juízo crítico em relação as coisas e valores do seu tempo, para aprovar o que é certo e reprovar o que é errado.
A pregação, portanto:
tem que comunicar aos ouvintes verdades da Escritura que sejam inteligíveis e que os ajude a pensar de modo novo;
deve despertar nos crentes o desejo de meditar na Escritura;
precisa incentivar os crentes a leitura diária da Escritura porque uma mente não se renova somente com o que se ouve aos domingos e,
finalmente, o próprio crente deve zelar de sua mente para que não tenha por hábito entregá-la as coisas reprováveis, mas sim aquelas que a renovem cada vez mais, pois ninguém pode ser maior guardião de sua mente senão aquele que a possui.
Lutero de Paiva Pereira