quinta-feira, 28 de novembro de 2013

VEM E VÊ

 O evangelista não é um executivo da igreja para fazer algo, mas sim um enviado dela para anunciar alguém. Se o evangelista fez muita coisa mas não apresentou Cristo às pessoas, ele pode ser visto como um empreendedor mas não como um arauto do evangelho.
Felipe, vivendo ao tempo de Jesus, não dispunha de nenhum centro “acadêmico” para qualificá-lo para evangelizar Natanael, quando este duvida que da Galiléia pudesse sair o Messias. Ao invés de falar sobre as quatro leis espirituais ou coisa parecida, Felipe simplesmente diz a Natanael: vem e vê (Jo 1.45).
Ao convidar Natanael a ir  a Jesus para conhecê-Lo, Felipe está tratando na verdade da essência e da alma do evangelho, a saber, ver e conhecer Cristo por experiência pessoal.
Evangelizar não é ensinar um povo a mudar seus hábitos de limpeza ou melhorar sua estética, coisas em si mesmas boas e em nada reprováveis. Evangelizar, pelo contrário, é chamar o pecador a vir a Cristo para conhecê-Lo ou, de outra forma, é levar Cristo às pessoas para que seja conhecido delas, e se convertam ao Seu senhorio para serem salvas.
E para fazer isto o que o evangelista precisa é ele mesmo ter tido um encontro pessoal com Cristo, para depois levá-Lo a outrem. Felipe somente convidou Natanael a ir a Jesus depois que ele mesmo foi a Jesus, tornando-se seu discípulo.
Se alguém precisa de alguma agência missionária para aprender a evangelizar, a melhor delas é a de Felipe, que além de simples é eficaz na mensagem: Vem e vê.
Vem e vê é o método mais que aprovado para evangelizar, mas ele só pode ser aplicado por aquele que já veio e viu a Cristo.
O apóstolo Paulo escreve dizendo que as pessoas não terão como crer se alguém não pregar (Rm 10.14), e pregar aqui tem a ideia de anunciar. Sabendo que a pessoas precisam crer e para crerem necessitam de que Cristo lhes seja apresentado o apóstolo é enfático na pregação ou no anúncio das boas novas.
Vem e vê. O que passa disso não importa ou, se o caso, importa menos.
Se você, a exemplo de Felipe, já viu a Cristo está mais que habilitado a convidar “natanaéis” a virem e verem a Cristo, pois só será salvo quem vier a Ele. Mas se você ainda não veio e nem viu a Cristo, vá e O veja rapidamente para não ser como Jó, que depois de muitos anos descobriu que conhecia a Deus só de ouvir falar, o que percebeu somente depois que viu a Deus: hoje os meus olhos te veem (Jó 42.5). Quem anuncia Cristo sem ter visto a Cristo, é como  um cego apresentando a outro cego uma paisagem que está longe de sua capacidade de perceber.





Lutero Paiva Pereira

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

JESUS CRISTO, NOSSO MEDIADOR


Quando o Brasil iniciou a era das operadoras de telefonia de longa distância, na televisão começaram as propagandas para ganhar os consumidores para esses serviços.
 Dentre os vários códigos anunciados, me lembro da operadora 21 onde no comercial aparecia uma atriz de braços abertos dando a mão direita a uma avó que estava no nordeste e a mão esquerda ao neto que se encontrava no sul do Brasil.
Dizia a propaganda que aquela operadora se interpunha entre aquelas duas pessoas tão distantes uma da outra para aproximá-las pela telefonia.
Esse comercial de alguma forma nos faz pensar na figura do mediador.
O mediador é aquele que se coloca no meio ou entre duas ou mais pessoas com o fim de estreitar seu relacionamento.
A função do mediador é tornar próximas pessoas que se acham distantes, e isto para o bem estar delas.
Pessoas que estão afastadas entre si por uma mágoa ou desavença são aproximadas pela atuação de um mediador.

Conforme lemos em 1ª  Tm 2.5, de forma enfática e objetiva o apóstolo afirma que um mediador entre Deus e os homens, e que esse mediador único entre Deus e os homens  se chama Jesus Cristo Jesus.
Jesus Cristo é Aquele que foi posto entre Deus e os homens para aproximar um do outro de forma permanente e duradoura.

Jesus foi posto como mediador entre Deus e os homens em razão de três questões básicas:

A primeira razão de Jesus ser o mediador entre Deus e os homens é porque Deus pretende estreitar seu relacionamento com os homens.
Está provado que Deus quer se relacionar com o homem porque foi Deus mesmo e não o homem quem tomou a iniciativa de estabelecer um mediador para estreitar o relacionamento que está rompido.

A segunda razão para Jesus ser o mediador ou estar entre Deus e os homens é porque se trata de pessoas distantes entre si.

Deus está no céu e os homens, na terra, é verdade.
Mas a verdadeira distância que há entre Deus e o homem e que exige a mediação de Jesus Cristo  é em termos de grandeza e de glória.

Deus está longe do homem porque Ele é Deus, o Criador e o homem é a criatura, e nada mais do que isto.
A própria grandeza do Criador o faz distante da criatura.
O profeta Isaias escreveu:: porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos (Is 55.8).

Os pensamentos de Deus são mais elevados do que os pensamentos do homem porque Deus é em tudo superior e mais elevado que o homem.

A terceira razão para Jesus ser o mediador entre Deus e os homens é porque Deus e os homens são partes discordantes uma da outra, e não podem se aproximar a não ser mediante o processo da mediação Filho de Deus.
Os propósitos e os procedimentos divinos são opostos aos propósitos e aos pensamentos humanos.
O que Deus ama o homem abomina, e vice-versa.
E é assim porque ambos – Deus e o homem - têm naturezas distintas.
Deus é luz, e não há nele trevas nenhuma (1Jo 1.5), os homens são trevas, e neles luz nenhuma há. 
Essa discordância entre Deus e os homens é decorrência direta do pecado humano, pois a partir da Queda todos os homens passaram a ser dominados por uma natureza carnal, que é inimiga de Deus (Rm 8.7), que não se sujeita à lei de Deus, e nem tem disposição para segui-la.
Porque o homem está rebelado contra Deus e em constante conflito com Ele, isto mantém a distancia entre eles, distancia que o homem não tem como superar por esforço próprio.

A despeito de tudo isto, o fato é que Deus criou o homem para viver com ele, para estar com ele e para se relacionar com Ele eternamente, de modo que a separação entre eles deve ser vencida.
E foi exatamente para aproximar-se do homem que Deus tomou a iniciativa de eleger e estabelecer um mediador entre Ele e os homens, para que esse mediador possa reconciliar o homem com Deus, aproximando ambos para um relacionamento bom e eterno.

Da mesma forma que aquela atriz da operadora 21 abrindo os braços pegava na mão da avó e na mão do neto e ligava um ao outro através da telefonia, Jesus Cristo na cruz abre os braços para tocar as mãos de Deus e as mãos dos homens e aproximar o Criador da criatura para uma plena comunhão.

Se alguém deseja aproximar-se de Deus, é preciso valer-se do ministério mediador de Jesus Cristo, pois é Cristo quem tem o poder e o ministério de aproximar partes tão distantes.

Para entendermos essa função mediadora de Jesus Cristo em nosso favor, vamos considerar três pontos especiais desse seu ministério.

Antes, porém, precisamos dizer que à luz da Bíblia Cristo Jesus é o ÚNICO mediador entre Deus e os homens.
Noutras palavras, não há outro mediador na terra capaz de intermediar a aproximação entre Deus e os homens, pois o único capaz de realizar tal feito é Jesus Cristo.
Por isto a Bíblia que Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.12).
Ao dizer que não há salvação em nenhum outro, o texto bíblico está afirmando que não há outro mediador entre Deus e os homens.

Não há dois ou mais mediadores entre Deus e os homens, mas somente um, e este é aquele que Deus mesmo instituiu, o qual é Seu Filho.

Deus aproxima-se dos homens através do único caminho que é Jesus Cristo, e o homem aproxima-se de Deus através desse mesmo único caminho, ou seja, Jesus Cristo.
Jesus Cristo mesmo disse: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14.6).
Aquele que deseja ir ao Pai é preciso valer-se do caminho que é Jesus Cristo, o Mediador entre Deus e os homens.

Tendo essa certeza de que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, podemos tratar de 3 pontos que caracterizam a obra mediadora de Jesus Cristo em favor dos pecadores.

A primeira característica da obra de Jesus Cristo como mediador, é que ele é um mediador EFICAZ.
Falamos que é algo é eficaz quando produz o resultado desejado.
Jesus Cristo não somente se interpõe entre as duas partes distantes entre si, a saber, Deus e os homens, como interpondo aproxima um do outro de forma eficaz.
Sendo competente para realizar essa obra de aproximação, o resultado de sua mediação está totalmente garantido.
Os que estavam longe de Deus, através de Jesus Cristo se achegam a Deus sem precisar recorrer a qualquer esforço pessoal ou de terceiros, porque Jesus Cristo garante o resultado de sua mediação em favor daquele que nele crê.
Os que viviam separados de Deus a Deus se unem por meio do ato mediatório de Jesus Cristo para sempre por causa da eficiência de sua obra.
O pecado que separou os homens de Deus, em Cristo Jesus é removido na cruz para não mais haver separação entre o Criador e a criatura, e isto que garante é o Mediador estabelecido por Deus.
Na cruz o Mediador recebe o castigo que nos traz a paz (Isa 53.5), paz que uma vez estabelecida nos dá livre acesso a Deus.
A morte de Jesus Cristo na cruz tem poder para operar tudo isto, mudando o curso da história daquele que nele deposita fé.
Jesus Cristo é, portanto, um mediador eficaz que dispensa ajuda de qualquer outra pessoa para fazer aquilo que se propõe fazer, ou seja, aproximar o homem de Deus.

A segunda característica de Jesus Cristo como mediador é que ele se apresenta como um mediador NECESSÁRIO.  

Os homens necessitam de ser purificados de suas iniqüidades para desfrutarem de comunhão com Deus, e somente através do sacrifício desse Mediador é que os pecadores são purificados de sua imundície pecaminosa para serem aproximados do Deus santo.  

 A Bíblia diz que Deus é tão puro de olhos que não pode contemplar a iniqüidade (Hc 1.13).

Imersos em iniquidade os homens não podem achegar-se a Deus em seu estado pecaminoso, sob o risco de receberem sobre si a ira divina.

Neste caso o Mediador Jesus Cristo se torna necessário para realizar a obra de purificação dos pecados dos homens para habilitá-los a viverem com o Deus santo.

Diz a Escritura que Cristo Jesus a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda a iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu (Tito 2.14).  

Necessitando de serem purificados dos seus pecados, os homens carecem do Mediador se apresentar em condições de lhes outorgarem o status de santos diante de Deus, o que Jesus Cristo faz por sua obra expiatória.

Portanto, não há fora de Cristo a menor condição para homem alcançar a condição de justo, mas em Cristo ele é feito justo.

Portanto, Jesus Cristo é o mediador necessário porque somente Ele pode transformar um homem imundo num homem puro ou santo para levá-lo a Deus.

A terceira característica de Cristo Jesus como mediador é que Ele é um mediador COMPLETO.

Isto significa que Ele dispensa ajuda dos homens na sua obra de mediar a aproximação deles com Deus, porque tudo que o homem precisa de um Mediador ele encontra em Jesus Cristo.

A obra de mediação que por Jesus Cristo foi realizada plena e completamente e de nada ela tem falta.

Jesus Cristo orou: Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste fazer (Jo 17.4).
E quando Jesus disse na cruz: está consumado (Jo 19.30), é porque tudo foi plenamente satisfeito.
Uma obra consumada é uma obra realizada na sua completude, e tal é a obra do Mediador Jesus Cristo.
Paulo escreve que o homem não é justificado pelas obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus (Gl 2.16).

Isto quer dizer que ninguém precisa recorrer a nada, exceto a Jesus Cristo para ser justificado de suas transgressões para aproximar-se de Deus de modo agradável ao Senhor.

Portanto, ninguém deve procurar fora de Cristo aquilo que somente nEle consegue achar.

Jesus Cristo, diz a Escritura, pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles (Hb7.25).

Conclusão
Como Mediador eficaz (que garante o resultado daquilo que Ele propõe), como Mediador necessário (já que o homem precisa ser justificado para aproximar-se de Deus) e como Mediador completo (já que tudo está em Cristo), Jesus Cristo Jesus é o único Mediador que pode realmente aproximar o homem de Deus.

Os que confessam a Jesus Cristo como Senhor e o receberem como Salvador, serão salvos e aproximados de Deus para todo o sempre, porque na condição da Mediador eficaz, necessário e completo Jesus Cristo une aquele que nele crê a Deus, o Pai.

Se você deseja aproximar-se de Deus para unir-se a Ele eternamente a oportunidade está dada através da mediação de Jesus Cristo.
Se você crer no Mediador, reconhecendo-o como seu mediador pessoal eficaz, necessário e completo sua aproximação de Deus está assegurada imediatamente e para sempre, porque através de Cristo você passará da condição de pecador impuro e imundo, a condição de justificado, puro e santo.
Se você já creu em Jesus Cristo e, portanto, já foi aproximado de Deus por obra da mediação do Mediador eficaz, necessário e completo, seu coração deve não só descansar na obra desse Mediador único, eficaz, necessário e completo, como também ser grato a Deus pelo fato de ter encontrado um mediador eficaz, necessário e completo, porque sem ele você nunca poderia se achegar a Deus, e através dele você nunca mais ficará distante de Deus.

A Cristo Jesus, nosso mediador,  toda honra e toda glória hoje e sempre. Amém.

Lutero de Paiva Pereira
                                              






quinta-feira, 24 de outubro de 2013

ORAÇÃO PARA A VIDA: VENHA O TEU REINO


Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
Venha o teu reino (Mt 6.9-10).

A oração, pode se dizer, é antes de tudo um mecanismo criado pelo próprio Deus e colocado à disposição dos seus filhos para o bem deles. Ao escrever seu livro Pai Nosso, o Rev. Hermisten Maia Pereira Costa faz a seguinte observação sobre oração:
‘A Palavra de Deus insiste conosco quanto à necessidade que temos de orar, já que a oração foi instituída e é ensinada por Deus por nossa causa, para o nosso bem, não por alguma carência no ser de Deus. Aliás, os preceitos de Deus não visam simplesmente satisfazê-Lo, mas, sim, propor caminhos para o homem, os quais ele, seguindo, será feliz e Deus será glorificado.’
A oração, instituída por causa de nossa carência, deve ser praticada com esta proposta e não como um meio de dar ordens Àquele de quem somente se deve receber ordens.
Desta forma, a oração é um meio eficaz para que o crente apresente a Deus os desejos e os anseios de seu coração, aguardando daí por diante o que o Senhor dirá a respeito.
O coração humano tantas vezes tem reboliços que só através da oração se consegue acalmar suas inquietações, de modo que muitas vezes a oração funciona como um verdadeiro refrigério para o atribulado, que não podendo segurar dentro do peito a pressão ora e eleva ao Senhor sua necessidade. Quem já leu o livro de Salmos viu bem como orações de corações aflitos estão registradas ali para nosso consolo e edificação.
Mas a oração não tem somente o fim de exteriorizar nossas questões pessoais ou particulares diante de Deus. Ela tem um outro lado que mesmo não sendo percebido com facilidade dela faz parte.
Se de um lado a oração trata da vontade do homem, de outro ela trata da vontade direta do próprio Deus.
Afinal, é através da oração que o crente também pede a Deus aquilo que Deus mesmo quer que ele peça, importando-se com aquilo que Deus deseja que ele se importe.
De uma leitura das Escrituras é possível perceber que Deus orienta seus filhos a buscar alguma coisa que eles não buscariam, se não fossem orientados pela Palavra a fazer tal busca, e quando se comportam assim o pedido tem a ver com a vontade de Deus.
Na oração do Pai Nosso que Jesus ensina seus discípulos a orarem, dentre os vários pedidos que ele aponta para que façam parte da oração um deles trata da vontade de Deus, com o qual os discípulos devem aprender a se importar.
Qual esse pedido que deve fazer parte da oração do crente, e cujo alvo não tem a ver com sua vontade pessoal, mas sim com a vontade de Deus?
O pedido é: venha o Teu reino.
O que está contido nestas poucas palavras é a vontade de Deus para os salvos, pois Deus quer que eles orem ou se importem em pedir que o Seu Reino venha até eles.
Se Jesus não tivesse ensinado os discípulos a orarem pedindo que o Reino de Deus viesse, é possível que nenhum deles se importaria em fazer uma oração assim, pois normalmente oramos o que é da nossa vontade e não necessariamente o que é da vontade de Deus.
Não é que esteja errado orar aquilo que diz respeito a nossa vontade. O erro está em não orar também aquilo que diz respeito a vontade de Deus.
Venha o Teu Reino é um pedido que deve fazer parte de nossas orações, porque a vontade de Deus é que Seu Reino venha a nós.
Esse pedido deve ser feito com consciência e desejo verdadeiro, pois se trata de algo de grande importância na própria missão que trouxe Cristo à terra, pois Jesus ao mundo primeiramente para inaugurar o Reino de Deus aqui e, então, para salvar pessoas do império das trevas transportando-as para o Reino da luz, de modo que o Reino de Deus é acima de tudo o centro do evangelho.
Agora que os crentes sabem que não mais vão para o inferno, e sim para o eterno Reino de Deus, o melhor a fazer é conhecer algo a respeito do lugar para onde vão, ao invés de se preocuparem com o lugar para onde não mais irão.
Portanto, preocupar-se mais com o inferno, o lugar para onde não vão, do que com o Reino, o lugar onde estarão, é uma proposta teológica sem amparo na Escritura.
A oração do Pai Nosso quando meditada, é uma bela oração e enche a alma de alegria. Mas quando suas palavras são proferidas sem conhecimento, não passa de uma reza que se perde no próprio momento em que é feita.
E se é a vontade de Deus que oremos para que Seu Reino venha, podemos estar certos de que este pedido feito em oração contém algo muito bom, pois a vontade de Deus, no dizer do apóstolo Paulo, é sempre boa, perfeita e agradável:
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (RM 12.2)

Assim, quando pedimos em oração: Venha o Teu Reino, estamos pedindo algo bom, perfeito e agradável para nós, de modo que não precisamos ficar com medo ou receio de fazer tal pedido com toda a convicção de alma.
E para orar com convicção, com fé, com discernimento, com sabedoria, até mesmo com satisfação, precisamos saber algo a respeito do Reino de Deus que estamos pedindo.
Mas antes mesmo de observarmos pela Escritura quais as características do Reino de Deus e, então, dos benefícios de sua vinda, é preciso que entendamos a oração tanto como um ato, quanto como uma atitude.
A oração como ato implica em reservar algum momento do dia ou da semana para sua prática reservada, como Jesus mesmo teve seus momentos de oração em particular.
Certamente Jesus orientou seus ouvintes: Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente (Mt 6.6.).
Portanto, é importante termos momentos de oração.
Embora tenhamos momentos de oração, não é certo dizer que oração é alguma coisa que se pratica somente num determinado instante e depois disto se encerra e deixa de existir.
Diferentemente disto, a oração ao invés de ser somente um ato determinado numa hora do dia ou num dia da semana, a oração deve ser vista, acima de tudo, também como um estado de espírito do crente.
Se a oração não pudesse ser um estado de espírito, de modo que o crente pudesse orar constantemente, mas somente um ato isolado no dia ou na semana, não haveria razão do apóstolo Paulo orientar os crentes a orarem sem cessar:
Orai sem cessar ( 1 Ts 5.17).
Se Paulo orientou os crentes a orar sem cessar é porque orar sem cessar é possível, e para orar sem cessar a oração não pode ser um ato isolado no dia ou na semana, mas um estado de espírito ou de coração que acompanha o crente todos os dias e o dia todo onde quer que ele esteja.
Portanto, quer oremos num determinado momento, quer oraremos incessantemente o dia todo, um dos pedidos que deve fazer parte de nossa oração é este que Jesus ensinou: Venha o Teu Reino.
Pensemos agora algo a respeito do Reino de Deus que vamos pedir que venha a nós.
Devemos entender algo sobre o Reino de Deus para orarmos sabendo o que estamos pedindo, inclusive para entendermos bem sobre seus efeitos em nossa vida.
Primeiramente devemos entender o Reino de Deus como sendo o governo, a ordem e os princípios de Deus em atuação santa e amorosa onde quer que estejam presentes.
Orar pedindo pela vinda do Reino de Deus não é outra coisa senão pedir que o governo de Deus venha sobre nossa vida e nossa casa.
Pedir que esse Reino chegue até nós, é também pedir que ele organize nossa vida e nossa família de acordo com a organização de Deus.
E quando pedimos que Deus organize nossa vida e nossa família de acordo com seu padrão de organização, é porque estamos reconhecendo que nossa vida e nossa família em alguma medida estão sofrendo o caos da desorganização produzida pelo pecado, pelo mundo, enfim, pelo império das trevas que está a nossa volta.
Devemos saber que mesmo sendo crentes, não estamos imunes às influências malignas.
Ao pedirmos que o Reino de Deus venha estamos reconhecendo então que os preceitos e os princípios desse Reino são superiores e melhores do que os preceitos e os princípios que muitas vezes estão dirigindo nossas vidas e nossas casas.
Buscar esse Reino traz a expectativa de que a vida abundante que Cristo veio trazer passe a ser uma marca registrada de todos nós, pois onde o Reino de Deus está ausente a vida abundante não se faz presente, como o contrário é verdadeiro, ou seja, a vida abundante se encontra presente onde o Reino de Deus não está ausente.
Pedir pela vinda do Reino de Deus é dizer que estamos dispostos a mudar nossa maneira de ser, de viver, de agir, de pensar para adequarmos nossa vida aos preceitos santos de Deus, os quais de excelência para um viver em ordem.
Pedir pela vinda do Reino de Deus é concordar com Jesus no sentido de que sua orientação a respeito de pedir isto em oração é a melhor orientação, pois foi Ele mesmo quem ensinou seus discípulos a orar pedindo pela vinda do Reino.
Querer que o Reino venha é o mesmo que dizer que estamos também dispostos a levar nossa vida para dentro do Reino, pois o Reino de Deus não é algo para ser admirado, mas para ser vivido.
Portanto, pedir pela vinda do Reino é estar disposto a viver como cidadão desse Reino.
Precisamos considerar agora o que nossa vida ganha quando pedimos a vinda do Reino ou do governo de Deus sobre nós.
Quais são as características próprias do Reino de Deus que vamos ganhar com essa oração?
Escrevendo aos Romanos, ao falar daquilo que é essencial ao Reino de Deus, Paulo diz que o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Rm 14.17
Justiça ou retidão é a primeira característica do Reino de Deus; Paz é a segunda, e alegria no Espírito a terceira.
Quando oramos pedindo que o Reino de Deus venha a nós, estamos dizendo a Deus que desejamos a retidão do seu Reino, para termos a paz que ele proporciona, e desfrutar da alegria do Espírito.
Por que muitos crentes não gozam nem da alegria menos ainda da paz desse Reino?
A resposta é simples. Não experimentam nem a alegria nem a paz do Reino porque também não têm seus corações orientados pela retidão do Reino.
Se queremos a alegria do Reino, precisamos da paz que é própria desse Reino. E se desejamos essa paz, devemos nos importar com a retidão ou a justiça do Reino.
Portanto, orar a Deus venha o Teu Reino, é pedir pela retidão do Reino como baliza ou direção de conduta, de modo que a paz habite o coração e a alegria do Espírito seja real.
Conclusão
Deus tem um Reino de justiça, paz e alegria no Espírito para ser experimentado pelos homens.
E Deus não somente tem um Reino com estas características como quer que seus filhos experimentem esse Reino para provarem de sua retidão, de sua paz e de sua alegria.
Mas para que os crentes experimentem essas características do Reino é preciso que orem pedindo a Deus que seu Reino seja real em suas vidas.
É verdade, no entanto, que para o homem provar desse Reino a primeira condição é ser salvo por Jesus Cristo para se tornar um cidadão do Reino.
Quando a pessoa crê em Jesus Cristo a Bíblia diz que ela é transportada do império das trevas para o Reino da luz, transporte este que é feito pelo próprio Deus:
Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;
O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor (Cl 1.12-13)
Como salvo e já fazendo parte do Reino de Deus, enquanto vive nesta terra como nova criatura o crente deve aprender a orar pedindo a vinda do Reino de Deus primeiramente sobre sua vida pessoal e também  familiar, e isto para que vivam todos como cidadãos desse Reino de glória.
Devemos orar pedindo a vinda do Reino de Deus tanto em momentos de oração isolada, como também em orações contínuas e incessantes.
Lembremo-nos das palavras de Jesus: buscai, pois, o Reino de Deus e Sua justiça, e as demais coisas lhe serão acrescentadas.
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6.33).
 Sem dúvida alguma que a paz e alegria serão acrescentadas a todos quando desejarem a vinda do Reino.
Devemos fazer do Reino de Deus um alvo de nossas orações, e isto não só porque esta é a vontade de Deus, como também pelo fato de que, sendo a vontade de Deus a vinda desse Reino nos fará pessoas e famílias mais organizadas com potencial de desfrutar da paz e da alegria do Reino.

Oremos com entendimento a oração do Pai Nosso. Venha o Teu Reino é uma oração para a vida.