sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O CRENTE E A BÍBLIA

Existem cidades que ficaram tão marcadas pela grandiosidade e beleza de certas obras e paisagens, que passear por elas sem ir aos pontos turísticos de fama mundial é perder o melhor que elas oferecem.
Ir a Roma e não conhecer nem o Vaticano nem o Coliseu, a Paris e não visitar o Arco do Triunfo e a torre Eiffel, ao Rio de Janeiro e não chegar ao Pão de Açúcar e ao Cristo Redentor é coisa que o turista não pode fazer.
A Bíblia, mudando o que deve ser mudado, também é assim. Embora tenha muitas coisas boas a oferecer aos homens, a mais essencial delas, e de onde decorrem todas as outras, é dar a conhecer a pessoa e a obra de Jesus Cristo, de modo que quem dela faz uso não pode deixar de concentrar sua atenção e estudo na direção do Salvador.
A leitura da Escritura Sagrada deve ser feita sempre o propósito de conhecer a Cristo, da mesma forma que um turista cuidadoso programa sua viagem reservando espaço para visitar os pontos principais do seu destino de viagem.
Afinal, leitura boa e agradável é aquela que prende a atenção do leitor e o deixa maravilhado com o texto, o que a Bíblia faz com aqueles que a lêem olhando por centro de sua escrita que é Cristo.
Maravilhamento é o estado de alma que toma conta da pessoa quando contempla algo belo ou grandioso que atraindo sua atenção imprime na alma uma reação de contemplação incansável. A maravilha ou o esplendor de um objeto, obra de arte, evento ou paisagem é coisa que não se transmite por palavras, pois somente pela contemplação pessoal é que se pode captar.
Portanto, se alguém quer maravilhar-se com algo ou com alguma coisa é preciso dedicar tempo para contemplá-lo pessoalmente.
A Bíblia, livro escrito em linguagem humana para comunicar verdades divinas essenciais ao homem, está repleta de maravilhas capaz de impressionar os que a estudam.
No entanto, conforme já observou a teologia um dos efeitos sérios do pecado no homem foi danificar sua mente retirando dela a capacidade de ver ou de compreender, sozinha, as questões de ordem espiritual que decorrem do texto Sagrado.
Em função disto, pretender o leitor esmiuçar a Escritura somente com o intelecto ou com a racionalidade é não alcançar o que ela tem de melhor, gerando mais cansaço do que prazer quando com ela mantém contato.
Para que o leitor se maravilhe com a Bíblia a compreensão de sua mensagem requer mais que dedicada leitura e capacidade intelectual de observar seus termos. É preciso, acima de tudo, a ação do Espírito Santo no coração para que as suas belezas sejam desvendadas para contemplação.
No caso das Escrituras Sagradas se pode dizer que as palavras são como caminhões furgão a transportar valores espirituais que o Espírito Santo precisa ajudar o leitor a ver o que dentro dele está contido, sob pena da pessoa enxergar a carroceria e não a carga que vai sendo levada.
Dotado de mente que compreende bem as coisas naturais e desenvolve de forma invejável a ciência, o homem não tem essa faculdade qualificada para compreender Deus e sua vontade, sendo, então, dependente de Deus para compreender o próprio Deus.
Sob este aspecto podemos olhar para o Salmo 119 e aprender com o salmista sobre como se posicionar diante da Escritura para poder compreendê-la bem.
No verso 18 vemos a seguinte oração do salmista: Desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei, e tal pedido contém lições para uma atitude correta frente ao texto sagrado.
1º. -  Em primeiro lugar se observa que o salmista muito embora tivesse a Lei de Deus literal e fisicamente diante de si para leitura, isto não lhe assegurava o privilégio de ver as maravilhas nela contidas. Tanto é verdade que ele pede a Deus para lhe dar o privilégio de ver as suas maravilhas.
Isto quer dizer que ter a Lei ao alcance das mãos não significa que automática e espontaneamente a mente do leitor será capaz de ver as maravilhas do que ela trata. Para ir da letra ao conhecimento de suas maravilhas é preciso contar com a ajuda de Deus.
Ver as maravilhas da Lei era o alvo do salmista que não se contentava com o simples fato de ser seu leitor assíduo. É fato que para conhecer as maravilhas da Lei o salmista tinha que primeiramente conhecer a Lei, mas conhecer a Lei não era suficiente para o conhecimento de suas maravilhas.
Assim, observa-se desta atitude do salmista que conhecer as maravilhas da Lei é algo maior e mais profundo que conhecer a própria Lei, de modo que alcançá-las requer mais do que habitualidade com ela, é preciso a ajuda de Deus.
Para tanto o salmista ora pedindo o conhecimento das maravilhas da Lei: Desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei.
2º. - Em segundo lugar o salmista estava certo de que mesmo não vendo as maravilhas da Lei naquele momento, elas existiam para serem vistas. Afinal, se a Lei não contivesse maravilhas para serem vistas sua oração não teria sentido algum em ser feita neste sentido – que eu vejas as maravilhas da tua Lei.
Por certo o raciocínio lógico desenvolvido pelo salmista para afirmar que existem maravilhas na Lei quando ele nem mesmo as tinha visto é que se a Lei procedia de Deus, do Deus que opera maravilhas, e que assim sua Lei deveria também conter maravilhas.
Se Deus, o autor da Lei, opera maravilhas a Lei que dele emanada não poderia deixar de estar saturada de coisas admiráveis para serem conhecidas.
O salmista Asafe escreveu: Tu és o Deus que fazes maravilhas (Sl 77.14).
É interessante notar que o salmista ora para que Deus lhe dê o privilégio de ver as maravilhas presentes na Lei, ao invés de suplicar que Deus faça maravilhas para ele contemplar.
Por isto seu pedido é feito tendo como alvo ver as maravilhas já presentes na Lei: Desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua Lei.
Existe enorme diferença entre pedir para Deus fazer maravilhas e pedir a Deus para ver as maravilhas que Ele já fez.
3º. Em terceiro lugar o salmista demonstra um interesse pessoal por ver as maravilhas de Deus presentes em sua Lei, o que está muito acima do interesse de ser somente um leitor diário dela.
Ao pedir a Deus: desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei o salmista revela o intento pessoal do seu coração de maravilhar-se com Deus e sua Lei.
Ao dizer-se interessado em ver as maravilhas da Lei o salmista fala que seu coração está insatisfeito e incompleto com o texto somente, almejando ir ao que ele oferece de melhor.
Este inconformismo é saudável pois mostra o interesse de alguém que quer ver além daquilo que o homem vê, para chegar ao que Deus mesmo pode conceder.
Quem vê conforme Deus permite vê mais longe e melhor.
A oração do salmista revela seu interesse pessoal: Desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei.
Ver o que a Lei contém por dentro é mais espetacular do que ver somente o que ela apresenta por fora.
4º. Em quarto lugar o salmista sabe que seus olhos são incapazes de ver as maravilhas presentes na Lei embora fossem habilitados para ver a Lei e os seus escritos.
 Essa incapacidade presente nos olhos para ver as maravilhas de Deus em Sua Lei é de ordem espiritual, pois na condição de pecador a mente humana foi danificada pelo pecado tornando-se incapaz de ver as coisas chamadas sobrenaturais contidas nas Escrituras.
Possuindo olhos vendados pelo pecado o salmista suplica a Deus para que Ele o livre deste obstáculo e veja o maravilhoso da Lei.
O salmista está certo de que a venda está nos seus olhos e não na Lei, já que todo escrito por Deus não tem escuridão alguma que dificulte sua compreensão.
Sua oração é, portanto, um pedido de socorro para que Deus opere um milagre em seus olhos: Desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei.
A Lei somente se torna maravilhosa ao leitor na medida em que ele é capaz de contemplar as maravilhas que ela carrega.
5º. Em quinto lugar o salmista sabia que Deus, e somente Deus, é quem podia desvendar ou tirar dos seus olhos a venda que o impedia de ver as maravilhas da Lei.
 Somente Deus e não a religião nem a ciência podiam fazer alguma coisa em seus olhos que lhe desse a capacidade de ver, de modo que sua busca de cura é feita na fonte correta.
Assim, sua oração ou pedido é direcionado ao próprio Autor da Lei: Desvenda (SENHOR) os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua Lei.
O embaçamento que o pecado causou nos olhos humanos somente a ação de Deus é capaz de remover e quem O busca para esta solução terá uma visão apropriada para ver o invisível.
Estas cinco atitudes do salmista revelam uma pessoa disposta, confiante, humilde e desejosa de ir mais, de prosseguir em sua jornada sabendo que Deus tinha muito mais a oferecer através da Lei aos seus leitores do que de início eles mesmos podiam perceber.
Seu inconformismo de não se satisfazer somente com a leitura do texto; seu anseio de querer ver as maravilhas da Lei; o sadio desejo de ter seus olhos desvendados por Deus; o santo propósito de querer mais da Lei e a gloriosa expectativa de ver as suas maravilhas postas ao se alcancem movimentavam esse homem em boa direção.
Não há dúvida de que o salmista é um bom exemplo a ser seguido pelos crentes que desejam ver as maravilhas de Deus contidas em sua Palavra.
Desta forma, seguir seus passos e orientar-se por suas atitudes pode representar uma experiência maravilhosa de descobrir coisas espetaculares que somente a Bíblia é capaz de oferecer.
Assim:
1º. Em primeiro lugar o crente deve saber que conhecer a Bíblia não indica e nem lhe assegura ver as maravilhas que ela contém, de modo que decorar seus textos, conhecer suas histórias e até mesmo suas doutrinas ficam muito aquém da experiência desejada pelo salmista de ver suas maravilhas.
Sendo assim, contentar-se em conhecer a Bíblia sem desejar ir até o ponto de ver as maravilhas das quais ela trata é ficar muito aquém do propósito para o qual ela foi escrita.
O maior desejo do crente, portanto, deve ser o de ver as maravilhas da Palavra de Deus, e por isto sua postura diante dela não pode diferir da adotada pelo salmista que se interessava em ir além da letra para chegar ao seu conteúdo mais especial.
Certa vez Jesus repreendeu os fariseus pelo fato deles examinarem a Escritura sempre sem, contudo, se importarem de por intermédio delas irem a Ele para terem vida.
Com tais palavras Jesus informava que o exame escriturístico não tinha um fim em si mesmo, mas se apresentava como um meio de levar o estudioso a um bem maior a ser conhecido.
Assim, a oração do crente deve ser: Senhor, desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua palavra.
2º. Em segundo lugar o crente deve considerar que existem maravilhas na Bíblia que estão a sua disposição para conhecimento e deleite, de modo que ela se mostra como um livro que não se esgota com sua leitura, como é próprio de todos os demais livros. E não se esgota porque ela traz maravilhas a serem conhecidas constante e progressivamente pelos que tem seus olhos abertos para esta realidade. Sendo um livro inspirado pelo Espírito Santo esta inspiração traz mais coisas que as palavras podem comunicar, razão pela qual o próprio Espírito é indispensável para o processo do crente de ver para além das palavras.
Conhecer a verdade que liberta é muito mais que ler sobre a verdade que a Bíblia anuncia, e só a verdade efetivamente conhecida é que realmente liberta: conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jo 8.32). E para se conhecer a verdade mais que leitura sobre ela é preciso vê-la por meio da iluminação do Espírito na mente do leitor.
Assim, antes de ficar pedindo que Deus faça maravilhas para ele ver o crente deve dirigir sua oração ao Senhor suplicando pela experiência de ver as maravilhas que já se encontram presentes na Sua Palavra, o que é muito mais interessante.
Por isto a oração constante deve levar em conta a Palavra escrita: Senhor desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua Palavra.
3º. Em terceiro lugar o crente não pode esquecer que a experiência de ver as maravilhas da Bíblia é assegurada àqueles que desejam ver e não somente àqueles que fazem dela um livro de leitura meramente obrigatória ou descompromissada.
O crente que faz uso da Bíblia nestes termos nunca chegará a maravilhar-se com a beleza que ela tem, de modo que sua vida espiritual será sempre pobre e sem progresso.
O salmista tinha interesse pessoal não só na leitura da Lei como no conhecimento de suas maravilhas, e isto deve ser o objetivo de cada pessoa que passou pela experiência do novo nascimento quando tem a Bíblia em suas mãos.
Daí buscar inspiração no salmista para orar desejando ser alguém assim é muito importante: Senhor desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua Palavra.
4º. Em quarto lugar os olhos do crente, que não são diferentes dos olhos do salmista, também estão vendados para ver além do que está escrito na Escritura. Neste caso é preciso buscar socorro em Deus para ter a capacidade de compreender posta bem acima do nível natural.
Quando fala da possibilidade do crente de compreender a vontade de Deus que boa, perfeita e agradável o apóstolo Paulo escreve que a condição para isto experimentar é ser transformado pela renovação da mente (Rm 12.1), numa demonstração clara de quem sem a renovação da mente o homem não poderá encontrar na Palavra de Deus a vontade boa, perfeita e agradável que Ele já manifestou em Cristo Jesus.
A mente do crente precisa de constante transformação para que alcance cada dia mais o poder de compreender as belezas espirituais da Escritura. Enquanto seu progresso mental caminha neste sentido sua oração deve buscar em Deus os meios adequados para esta renovação: Desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua Palavra.
Conclusão
É preciso que o crente saiba, desde logo, que a grande maravilha da Bíblia consiste em revelar Jesus Cristo aos homens. O significado de revelar é de tirar a cobertura ou tirar o telhado para que se possa ver bem o que está dentro da casa.
Assim, quando o Espírito Santo ilumina os olhos do crente ele vê nas Escrituras a pessoa e a obra de Cristo, e isto lhe traz a experiência de maravilhar-se com  tal conhecimento.
Portanto, ler a Escritura sem ver Cristo é tornar este livro maravilhoso de leitura comum e sem brilho, o que ele não é;
Ler a Bíblia por obrigação sem fazer dela um meio para ver e conhecer a Cristo é fazer da prática devocional um momento de mero desencargo de consciência;
Ler a Bíblia sem depender do Espírito Santo para iluminar os olhos, supondo que há capacidade em si mesmo de conhecer o mistério de Cristo é prova de que realmente não sabe nada a respeito de Sua grandeza.
Não deve o crente continuar imerso em sua pobreza espiritual, quando a Bíblia está posta ao seu alcance para enriquecimento da alma através do conhecimento de Cristo no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3)
Motivado por tão nobre desejo a oração do crente deve conter sempre as palavras do salmista: Senhor desvenda os meus olhos para que eu possa ver as maravilhas da Tua Lei.
Naturalmente falando não é espetacular conhecer algo maravilhoso? Não faz bem a alma ver coisas que causam contentamento e boa impressão? Muitas viagens não se tornam marcantes por terem levado as pessoas a lugares que lhes causaram grande impacto e admiração?
Tanto melhor será a “viagem” proposta pela Bíblia que leva o leitor a maravilhar-se ao ver a obra e a pessoa de Cristo Jesus, experiência que impacta a mente e o coração de forma muito melhor.
Uma pessoa que vê o Cristo revelado na Escritura e a obra por Ele realizada, nunca mais será a mesma em contentamento pessoal e gratidão a Deus.
Lutero de Paiva Pereira

CRENTE DESIDRATADO


                                                       
Uma pessoa pode fazer greve de fome passando 5, 10, 15 ou mais dias sem comer mas não pode se privar da água por períodos assim tão longos, pois como 70% do corpo humano é água ninguém consegue sobreviver por muito tempo sem ingerir líquido.
A máxima é que se pode ficar até 3 minutos sem respirar, 3 dias sem tomar água e 3 semanas sem se alimentar.
O sedento é alguém em desespero cuja necessidade de água deve ser satisfeita no tempo certo sob risco de desidratação. A desidratação  ocorre quando o corpo humano não tem água suficiente para realizar suas funções normais, e no seu estado GRAVE  ela tem, dentre outros, os seguintes sintomas: queda da pressão arterial, sensação de perda de consciência iminente, estupor, hipertermia, convulsões, choque e até a morte.
Quando o salmista quis expressar seu desejo intenso de encontrar-se com Deus ele fez analogia com a sede dizendo: a minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo (Sl 42.2).
Falando com a mulher samaritana Jesus disse: todo aquele que beber desta água tornará a ter sede mas aquele que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede (Jo 4.13.14).
Neste relato são identificados dois tipos de sede, dois tipos de água e dois lugares diferentes de encontrar cada uma delas.
De um lado, a água no sentido literal que é retirada do poço para saciar a sede física. De outro lado, a água no sentido figurado, que somente Jesus  pode oferecer para satisfazer a sede da alma.
Não é pequeno o número de crentes que podem ser identificados como espiritualmente sedentos, os quais procurando satisfazer sua sede espiritual com água que não tem a propriedade adequada para isto já dão sintomas de desidratação espiritual.
Sobre este enfoque vemos o profeta alertando o povo de Israel: Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas (Jr 2.13).
Israel saciava sua sede agora não mais com as águas de Deus, mas com as águas do Egito e da Assíria, representativas de lugares que apontavam para uma realidade distante do Senhor.
Deixando Deus, o manancial de águas vivas o povo se volta na busca de cisternas  que não tinham como reter águas, e  o texto diz que o povo virou as costas e não o rosto para Deus (v.27).
Cisternas cavadas foi a forma de Israel se distanciar do manancial de águas vivas, trocando a graça que traz água viva pelo esforço de buscar que não satisfaz.
Pensemos, a luz do texto, algumas lições que são úteis para examinarmos nossa própria história.
Quando nos convertemos a Cristo ou tivemos nossa experiência de salvação, naquele tempo o amor de Deus por nós isto fez brotar no coração nosso amor por Deus.
Todos quantos foram salvos lembram-se da época em que o coração passou a amar a Deus, coisa que antes não fazia parte dos seus sentimentos.
Porque você passou a amar a Deus quis se consagrar a Ele e, então, consagrado a Deus, desfrutou do manancial de águas vivas que é Cristo, o qual saciava sua sede espiritual plenamente.
No entanto, é possível que seu amor por Deus tenha diminuído, esfriado ou desaparecido por completo, e mesmo sabendo que Deus te ama você já não mais tem certeza de que ama a Deus.
 Porque você deixou de amar a Deus, dEle também se afastou e sua consagração, certamente, acabou.
 Agora você está dedicado a muitas coisas, até mesmo as coisas da igreja, mas não a Cristo.
Cristo Jesus já não é parte do seu projeto de vida como foi no início de sua carreira.
Nesta condição é possível que foi tenha ido buscar  água em cisternas rotas que não podem reter a água.
 E bebendo águas que não procedem de Cristo você foi ficou cada dia espiritualmente mais sedento a ponto de estar em processo de desidratação espiritual grave.
Quando o povo de Israel ficou desidratado, Deus perguntou: que injustiça vocês acharam em mim para deixar o manancial de águas vivas e cavar cisternas que não podem reter água?
A pergunta atual é: Que injustiça achamos em Cristo a ponto de nosso amor por Ele se esfriar, nossa consagração desaparecer e irmos buscar águas em lugares inapropriados?
Estamos com sede não porque a fonte de água viva secou, mas porque deixamos de beber dela; estamos com sede, não porque a fonte de água viva está fechada, mas porque viramos a costas para ela; estamos com sede não porque a fonte de água viva não está disponível, mas porque nós fomos beber em lugar diferente.
A exortação é deixar nossas cisternas e voltarmos para Cristo imediatamente.  
Você é um crente espiritualmente desidratado?  Se for o caso decida agora mesmo voltar-se para Cristo a fonte de água viva que sacia a sede espiritual, aceitando o convite que Ele faz nos seguintes termos: no último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito Santo que haviam de receber os que nele cressem (Jo 7.37-39).

Lutero de Paiva Pereira

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS



Fazer afirmativa implica em sustentá-la com outra afirmativa, de modo que quando se diz, por exemplo, que o dia está bonito assegura-se isto dizendo que o sol está brilhando e que a temperatura se mostra agradável. Se, por outro lado, ao se afirmar que o dia está bonito se diz também que a chuva é copiosa e a temperatura está baixa a ponto de incomodar, esta última assertiva torna falso o adjetivo da primeira. 
Tomando por base esta máxima uma das afirmativas clássicas que se ouve com freqüência em pregações baseadas em II Samuel 13.14, que trata do registro da escolha de Davi por Deus para ser o novo rei de Israel é que esse homem era totalmente conforme o coração de Deus. Com base na expressão Deus buscou para si um homem segundo o seu coração, os pregadores utilizam-se desta parte do texto para dizer que Davi era uma pessoa segundo ou exatamente igual ao conceito de homem que Deus tinha em seu coração. Portanto, a primeira afirmativa é: Davi era conforme Deus.
Seria isto uma afirmativa verdadeira? Não seria mais correto afirmar que com exceção de Jesus Cristo, não existiu um único homem na terra  segundo o coração de Deus, ou seja, alguém que estivesse conforme ou fosse segundo Deus desejasse que fosse?
Afinal, diz Romanos 3.10-11: não há um justo, nem um sequer; não há quem entenda, não há quem busque a Deus.
Quando o pregador se vale da expressão segundo o coração de Deus para afirmar que Davi preenchia todos os requisitos de Deus e era exatamente conforme Seu coração, uma afirmativa que o texto e a realidade parecem não autorizar, ele precisa fazer outra afirmativa que sustente essa ideia de Davi ser realmente um homem incomum, ou seja, não igual aos demais.
E para sustentar a afirmativa primeira, isto é, de que Davi era um homem segundo o coração de Deus, os que adotam esta interpretação do texto começam a procurar em Davi virtudes que Davi não tinha, e muitas vezes encobrir defeitos que Davi tinha, num processo complicado de dar a outros textos a interpretações que eles não acolhem. Assim, dentre outras virtudes atribuídas a Davi os pregadores dizem que ele era um homem segundo o coração de Deus porque se arrependia facilmente.
Mas seria esta uma afirmativa biblicamente sustentável, ou seja, de que ele se arrependia com facilidade e por esta razão era um homem segundo o coração de Deus?
Teria a Bíblia registros que poderiam apontar para esta virtude de Davi como sendo algo presente em seu viver humano?
 Com efeito, não há prova de que Davi se arrependia sempre e rapidamente como dizem alguns. Uma única ocasião que fala do seu arrependimento envolve a atuação do profeta Natã, mas  ali não dá para afirmar que Davi se arrependia com facilidade, pois da forma como foi confrontado, isto é, sem escapatória, sua atitude não teria como ser diferente do que foi.
Portanto, dizer que Davi era um homem segundo o coração de Deus sob este prisma, é lhe atribuir um status que ele nunca teve e talvez nem mesmo pensou ter.
É por afirmar erroneamente que Davi era um homem segundo o coração de Deus, diferente de todos os homens que não são segundo Seu coração, que os pregadores ficam fazendo malabarismos exegéticos evitando falar dos  pecados dele, tais como adultério e assassinato, coisas difíceis de serem atribuídas ao um homem segundo o coração de Deus.
Ora, se a Escritura mesmo faz questão de mostrar os pecados de Davi, não teria feito isto exatamente para dizer que Davi não era um homem segundo o coração de Deus, ao menos conforme a interpretação que ao texto tem sido dada?
Então, o que quer dizer da expressão segundo o coração de Deus constante de I Samuel 13.14, ou mesmo Atos 13.22 quando trata da escolha de Davi como rei de Israel?
Bem, é possível dizer que a expressão segundo o Seu coração signifique que Deus escolheu um homem conforme Seu coração desejou escolher, já que o outro rei, Saul, foi escolhido pelo povo conforme o coração do povo desejou.
Desta forma, quando o texto diz que Davi foi escolhido segundo o coração de Deus isto não quer dizer que Davi preenchia todos os requisitos de ser uma pessoa conforme Deus desejava que fosse e, portanto, totalmente diferente de mim e de você, que sabemos não sermos  segundo o coração de Deus.
Na verdade, o que o texto pode estar dizendo é que Deus escolheu Davi conforme Seu coração desejou fazer, e não mais do que isto.
Assim, que ninguém se desespere ao olhar para Davi e achar que ele é totalmente diferente de si, porque ele era segundo o coração de Deus e você não é.
Console-se, isto sim, com a experiência de Davi no sentido de que mesmo não sendo segundo o coração de Deus, Deus o escolheu segundo Seu coração desejou escolher.
Deste modo, você também poderá ser um homem segundo o coração de Deus ao ser escolhido por Deus através de Jesus Cristo, não porque você é segundo o coração de Deus, mas porque Deus segundo Seu próprio coração desejou escolhê-lo para ser dEle.
Estando em Cristo, aí sim, você se torna um homem ou uma mulher segundo o coração de Deus, porque Cristo é segundo o coração de Deus e quem está nele será visto por Deus segundo Seu coração.
Deus olha e escolhe alguém a partir de Seu próprio coração e não a partir do coração de quem é escolhido, de modo que a pessoa se torna segundo o coração de Deus porque foi escolhida, e não que foi escolhida porque era conforme o coração de Deus.
Portanto, não olhe para as virtudes de Davi para saber se você tem alguma delas a ponto de despertar em Deus o direito de ser escolhido, pelo contrário, olhe para a eficácia da obra de Cristo para encontrar ali o amor e a graça de Deus que O levaram a escolher você para ser dEle.
Para ser um homem segundo o coração de Deus entenda, então, as palavras do apóstolo Paulo: não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tt 3.5).
Lutero de Paiva Pereira