sexta-feira, 4 de novembro de 2011

VIVER CONTENTE

Se formos dedicados em verificar o motivo que nos move ou nos leva a fazer quase tudo o que fazemos, descobriremos que de alguma forma a causa principal e mais importante a impulsionar nossas ações é o desejo de encontrar contentamento. 
Estudando, trabalhando, viajando, casando ou até mesmo praticando uma religião o objetivo de encontrar contentamento é sem dúvida um dos maiores a serem alcançados.
A vida tem lá seus momentos de contentamento, mas eles são tão passageiros e transitórios que nem mesmo começamos a experimentar seus efeitos e eles vão se acabando e fugindo ao nosso controle e domínio.
Adquirir a primeira casa, comprar um carro novo, passar no vestibular, arranjar um emprego, etc são coisas que já nos deram algum tipo de contentamento, mas que agora, por estarem no nosso passado, deixam de gerar contentamento a alma.
O contentamento que as coisas produzem se esgotam no próprio ato de experimentá-los, daí a impossibilidade de se ter um contentamento duradouro a partir delas.
A busca de contentamento encontra justificativa na própria Bíblia, pois ela o apresenta como um cosmético para o rosto e um tônico para o corpo, sendo certo afirmar que uma pessoa contente tem mais formosura e possibiidade de desfrutar de saúde mais estável.
É comum ouvir-se a expressão: tal pessoa morreu de tristeza. Ela quer dizer que a falta de contentamento é alto tão sério que a pessoa pode não resistir aos seus efeitos mortíferos. Olhe para uma pessoa desprovida de contentamento e você verá os efeitos destruídores da tristeza.
Quando o livro de Provérbios diz que “o coração alegre aformoseia o rosto,” (Pv 15.13), ele está demonstrando que a formosura depende diretamente de um coração que está inundado pelo contentamento, ou seja, pela alegria.
Noutro momento o mesmo livro afirma que “o coração alegre é bom remédio” (Pv 17.22).
Aqui a ênfase está posta no sentido de apresentar o contentamento como algo bom para o corpo, agindo em favor da sua saúde da pessoa.
A tristeza adoece, ao passo que o contentamento cura. A tristeza rouba a formosura, enquanto o contentamento a restabelece.
Prisioneiras do descontentamento algumas pessoas perdem seu vigor físico e adoecem, ao passo que outras encarceradas pela tristeza acabam expressando uma feiúra que se mostra incompatível com seus traços fisionômicos.
Portanto, se a tristeza tem tal poder destruidor busquemos na Escritura Sagrada informações que nos levem a desfrutar de um viver contente.
O apóstolo Paulo se apresenta como um incentivador do viver contente, e o faz autorizado por uma experiência de vida que o qualifica a ensinar outros sobre a fonte do contentamento duradouro.
Mesmo tendo tido uma história marcada por grandes lutas, Paulo experimentou contentamento em meio ao sofrimento que passou, a ponto de trazer esperança para aqueles que enfrentam circunstâncias adversas no seu dia a dia.
Escrevendo sua carta aos Filipenses ele diz:
porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.10-13).
Destas palavras tão abençoadoras do apóstolo lições de contentamento podem ser aprendidas para restabelecer a alma e curar o corpo.
1º. - Em primeiro lugar Paulo demonstra que o viver contente envolve um aprendizado. Ele afirma: aprendi a viver contente.
Como tudo na vida envolve aprendizado, seria bom aprender a viver contente já que muita gente que influenciada por fontes ruins, acabou aprendendo a viver descontente.
Se o viver contente envolve, em princípio, um aprendizado, então, toda pessoa que desejar aprender a viver contente poderá chegar lá, e assim mudar o curso de sua história.
E quem a isto se candidatar precisa observar duas regras elementares do aprendizado, a saber, que a vontade de aprender envolve dedicação e, que o aprender implica em ir à fonte correta do aprendizado que se quer alcançar.
Na escola do contentamento Paulo foi um aluno exemplar, pois ele não só desejou aprender a viver contente, como também se esmerou em ir à fonte idônea para isto lhe ensinar.
E tendo concluído o “curso do aprendizado” com nota máxima ele pode dizer: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.”
A palavra aprender, no original, significa aprender por observar, isto é, aprender por fazer como a fonte que gera o ensinamento faz.
Tento observado sua fonte de contentamento, e passado a andar conforme ela lhe orientava, não é de estranhar que Paulo tenha finalmente aprendido, com sucesso, o viver contente que marcou sua vida.
Ser diplomado na escola do contentamento é com certeza uma das formaturas mais valiosas que alguém pode alcançar, e quem nessa escola se matricular e nela se graduar verá que o esforço empreendido tem grande recompensa.
Paulo é, portanto, o professor por excelência nessa escola por que aprendeu viver contente.
2º. - Em segundo lugar, depois de dizer que aprendeu a viver contente Paulo prossegue afirmando que este aprendizado o capacitou a viver contente em toda e qualquer situação.
Isto quer dizer que o contentamento que o apóstolo experimentou não estava condicionado ou sujeito às circunstâncias.
Enquanto é comum observar que algumas pessoas têm algum nível de contentamento somente quando tudo lhe é favorável, Paulo tem o contentamento mesmo quando as coisas se lhe mostram contrárias.
Na verdade, se alguém depende de momentos favoráveis para viver contente não poderá esperar dias melhores nem mesmo tempos duradouros, isto não só porque os momentos de contentamento são rápidos e passageiros, como também pelo fato de que momentos favoráveis não são em si mesmos garantia de contentamento.
Afinal, boa parte do descontentamento humano não está ligado necessariamente às circunstâncias que se lhes mostram desfavoráveis, mas sim a sua própria alma que encontrando-se vazia tem um peito que se tornou moradia da tristeza.

Se a tristeza mora em peito nada que está a sua volta lhe trará contentamento.
Paulo diz que em toda e qualquer circunstância ele aprendeu a viver contente, de modo que sabia estar humilhado como também ser honrado pois nem honra nem humilhação contribuíam para o seu maior ou menor estado de contentamento.
Poder desfrutar de um viver contente que transcende as circunstâncias, que delas não depende direta ou indiretamente deve ser algo muito bom pois dá uma estabilidade de contentamento praticamente inalterável.
O mais incrível é que no momento em que Paulo escreve que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação, sua experiência é totalmente negativa para fazer esta afirmativa pois tudo a sua volta lhe é contrário.
Se ele estivesse escrevendo o que escreveu de um hotel confortável, de uma bela praia às margens do Mediterrâneo ou durante uma agradável viagem de férias, suas palavras não teriam tanto significado como têm quando são geradas de dentro de uma penosa e torturante cadeia romana.
E mesmo ali onde o ambiente é totalmente contrário a todo bem-estar ele ousadamente dizia que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação.
Portanto, o contentamento de Paulo não dependia das circunstancias.
3º. - Em terceiro lugar, depois de haver observado que o viver contente envolve um aprendizado e que o contentamento pode ser experimentado em toda e qualquer circunstância, devemos então identificar a fonte que nutria o contentamento do apóstolo.
A palavra contente por ele utilizada tem um conteúdo maior do que em princípio se pode notar, pois ao afirmar que aprendeu a viver contente o apóstolo está dizendo na verdade que aprendeu a ser auto-contente, ou seja, a ter contentamento em si mesmo.
No original a palavra contente é autarkes de onde vem em português a palavra autarquia que indica uma empresa pública que tem patrimônio e receita próprios sendo, portanto, independente para gerir-se a si mesma.
Paulo,  pode-se dizer assim, era uma autarquia do contentamento já que não dependia das circunstância para viver bem.
Neste sentido parece que Paulo era egoísta ou egocêntrico por se dizer auto-contente, dispensando tudo a sua volta para viver a vida com satisfação. No entanto, bem compreendida a questão a verdade é exatamente o contrário, pois vida egoísta tem a pessoa que requer e exige que o outro lhe dê o contentamento que ela não possui. E vida egocêntrica desenvolve aquele que reclama de terceiros o contentamento que não encontrou por si mesmo.
Quem espera que o outro lhe traga o contentamento que não tem, escraviza as pessoas ao seu interesse e acaba se frustrando, pois ninguém é fonte permanente de contentamento para ninguém.
Paulo não escravizou e nem exigiu das pessoas o contentamento que experimentava, já que a origem do seu viver contente estava alicerçada em fonte mais segura e duradoura, a saber, Jesus Cristo.
Ao escrever que tudo posso naquele que me fortalece Paulo indica, então, que uma pessoa e não um objeto ou coisa é quem lhe fortalece o contentamento que nocaso era Jesus Cristo.
Paulo podia tudo em Cristo, inclusive ter contentamento em meio a situações adversas.
Blaise Pascal, filósofo e matemático francês do sec. XVII dizia que dentro do homem há um vazio em forma de Deus que somente o próprio Deus pode preencher. E enquanto este espaço em forma de Deus não for preenchido por Cristo o contentamento humano jamais será real persistindo aquela sensação de vazio que sempre incomoda.
Somente Cristo pode preencher o espaço vazio existente no coração humano, proporcionando ao homem o viver contente que é próprio daqueles que o receberam como Salvador e Senhor.
Assim, Paulo ensina que o contentamento pode ser aprendido, e que o contentamento de que ele trata independente das circunstâncias, visto que procede de Cristo Jesus. 
Por isto ele escreve: alegrai-vos no Senhor (Fp 4.4).
Conclusão.
Você terá uma vida contente se aprender a ser independente das coisas, das circunstâncias e das pessoas para se tornar dependente somente de Cristo como a fonte verdadeira, plena, inesgotável e sempre acessível de contentamento.
Somente Cristo pode contentar você por todo o tempo e o tempo todo, e isto até mesmo nos momentos mais difíceis.
Alister MacGrath registra em sua obra O Deus Desconhecido, a seguinte história:
“certa vez perguntaram a um escritor de prestígio: O que gostaria que lhe tivessem dito quando tinha dezesseis anos, que agora sabe ser verdadeiro? Sua resposta: ‘Eu gostaria que alguém me tivesse  dito que, quando chegamos ao topo, não há nada ali.”
Não é pequeno o número de pessoas que à semelhança desse escritor escalaram grandes montanhas na vida em busca de contentamento, supondo que poderiam encontrá-lo quando estivessem no seu topo, mas chegando lá experimentaram a dor de não terem encontrado o que mais desejaram encontrar, a saber, um viver contente.
Na verdade, o coração humano, para ter contentamento, requer mais que um relacionamento com outras pessoas; requer mais que possuir um bom número de coisas; requer mais do que grandes holofotes de reconhecimento. O coração humano para provar o verdadeiro contentamento precisa encontrar-se com Deus, através de Jesus Cristo, o Salvador.
Pessoas descontentes buscando contentamento na fonte errada multiplicam suas dores e consomem preciosos dias de vida.
Conta-se a história de uma família que comprou uma fazenda e mudou-se para lá para trabalhar a terra. A primeira preocupação do pai foi construir a casa perto de um riacho para ter água de fácil acesso. No entanto, passados seis meses o rio secou e não mais retornou com suas águas cristalinas. Sem opção de obter água noutra fonte o homem descobriu um novo riacho mais distante e rumou em sua direçao para ali construir uma nova casa e trazer conforto aos seus familiares.  Mas qual não foi seu espanto quando no transcurso de um ano o riacho também se secou e não mais retornou com sua abundância de água. Pressionado pela situação aquele homem se pôs à procura de um novo rio que pudesse lhe dar tranqüilidade duradoura. Tendo encontrado um morador da região foi logo se aconselhando com ele para ver onde deveria fixar sua nova residência. Naquela conversa o pai de família ficou sabendo que os riachos onde havia morado eram temporários e o que o único rio perene que oferecia água com sobra sem nunca secar estava em local mais adiante, para onde então se dirigir para ali de estabelecer com caráter definitivo e para o bem de toda a sua familia.
Esta história pode ilustrar a vida de muitas pessoas que buscando contentamento em “fontes” de curta duração, em fontes que se secam, em fontes que passam rapidamente tiveram que mudar várias vezes de direção na incansável busca de uma fonte que não seca, mas jamais a encontraram. 
Se este é o seu caso o momento agora é de ir à fonte duradoura descoberta pelo apóstolo Paulo, a saber, Jesus Cristo para que o seu contentamento dure para sempre.
São consoladoras e convidativas as palavras de Jesus ditas à mulher samaritana: Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna (Jo 4.14).
Se você deseja ter um viver contente real e duradouro vá a Cristo e nEle permaneça e então poderá dizer como o apóstolo Paulo disse: tudo posso naquele que me fortalece, inclusive viver contente em toda e qualquer situação.
Lutero de Paiva Pereira
                                                                                  




terça-feira, 1 de novembro de 2011

O SIM DE DEUS

O SIM DE DEUS
Quando os noivos dizem “sim” um ao outro diante do altar, eles estão concretizando a promessa que fizeram de se darem mutuamente em casamento para viverem juntos em união de amor.  O SIM leva ao compartilhamento não das coisas que se possui como também da própria pessoa, pois a união conjugal é forte o bastante para promover esta inter-relação integral.
O momento de dizer SIM é o mais intenso, o mais cheio de significado e certamente o mais emocionante da vida, de modo que nada supera este acontecimento. Dizer “sim” e ouvir o “sim” é indicativo de felicidade duradoura, de realização de sonhos e do início de uma nova vida onde duas pessoas se propõem serem um só ser sem, contudo, perderem a individualidade. É certo que o “sim” deve ser dito de coração por ambos os noivos, pois se um deles diz “não” o efeito disto é negar e inviabilizar a realização da promessa para os dois.
Todos que já ouviram este “sim” têm na memória a beleza do gesto e aqueles que esperam por ele vivem dias de grande e gostosa expectativa.
E depois que o SIM é pronunciado na condição de marido e mulher os cônjuges vão experimentar a realização dos sonhos acalentados ao tempo do namoro e do noivado.
PROMESSAS DE DEUS
Você sabia que Deus fez promessas excelentes para você? Que Ele disse SIM em seu favor? Você já ouviu o “sim” de Deus?
Se por muito tempo você pensou que Deus lhe havia dito “não” ao invés de “sim”, ou que Ele nem mesmo lhe havia feito promessas abençoadoras, ou tendo feito que elas não podiam ser experimentadas, hoje é dia de se alegrar em saber que foi exatamente o contrário o que Deus fez.
Deus lhe prometeu excelentes coisas; Ele cumpriu suas promessas; Ele tornou suas promessas totalmente acessíveis.
Para entender o “sim” de Deus em seu favor vamos ver o que o apóstolo Paulo quis dizer quando escreveu: 
Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós (2 Co 1:20).
Primeiramente o apóstolo diz que Deus fez promessas em favor dos homens, pois a frase “porque todas quantas promessas há de Deus” não deixa dúvida a este respeito.
A palavra promessa significa anúncio de que algo vai ser feito e, no caso do versículo citado quem anuncia que vai fazer algo é Deus mesmo, pois Ele é o autor das promessas.
O Antigo Testamento contém o registro do anúncio ou das promessas de Deus em favor dos homens, promessas que ao serem cumpridas e experimentadas por aqueles que delas se apropriam mudam por completo seu futuro, do mesmo modo que o cumprimento da promessa de casar muda por completo o destino das pessoas que se casam.
Vemos no Antigo Testamento que Deus prometeu que um dia enviaria seu Filho ao mundo para salvar os homens da perdição eterna na qual estavam metidos em razão de seus pecados. Observamos também que Deus prometeu que enviaria o Espírito Santo para estar presente na vida dos salvos, de modo que daí por diante pudessem experimentar a presença divina constantemente. Ainda verificamos naqueles registros Deus prometendo aos salvos um futuro glorioso que é habitar para sempre a nova terra que Deus trará a existência no tempo oportuno. De outra parte, é ali no Antigo Testamento que Deus promete fazer a paz entre Ele e os homens, paz que havia sido rompida quando Adão e Eva se afastaram de Deus transgredindo sua ordem. Vale observar, por outra parte, que Deus prometeu justificar totalmente os ímpios de suas transgressões de modo que eles se tornem daí por diante homens e mulheres livres de qualquer condenação diante do Seu trono de Justiça. E nesta promessa de tornar justo o injusto ainda Deus promete assegurar ao justo o direito de viver pela fé e não pelas obras pessoais ou pelo esforço pessoal, de modo que sua vida transcorra bem.
Ou seja, olhando para as páginas sagradas no Antigo Testamento é possível ver uma quantidade enorme de anúncios de Deus e de promessas de Deus em favor dos homens, promessas que uma vez cumpridas e postas ao seu alcance alteram a vida por completo e para melhor.
Afinal, as promessas trazem consigo a marca da bondade e do amor de Deus; elas revelam de forma plena a manifestação de Sua graça; elas indicam que o homem é alvo e objeto do amor divino e por isto mesmo com esperança de uma vida nova.
O SIM DE DEUS
Quando abrimos as páginas do Novo Testamento e lemos com atenção seus registros, ficamos sabendo que aquelas promessas feitas por Deus no tempo antigo encontram-se realizadas, satisfeitas, cumpridas e  concretizadas plenamente.
Segundo o registro do apóstolo Paulo as promessas de Deus, tantas quantas foram feitas, são nele sim.
A segunda parte do versículo citado acima diz que “tantas quantas são as promessas de Deus” essas promessas “são nele sim”. A expressão “são nele sim” precisa ser compreendida adequadamente.
Houve um momento em que Deus disse SIM em relação as suas promessas em favor dos homens e o SIM de Deus que importava no cumprimento de Suas promessas Paulo diz que está “nele” e este “nele” não é outro senão Jesus Cristo.
Noutras palavras, é em Cristo que Deus cumpriu todas as promessas e é em Cristo que todas as promessas de Deus encontram-se disponíveis aos homens, de modo que quem tem a Cristo tem com Ele as promessas de Deus.
Deste modo se pode dizer que não há promessas de Deus para os homens fora de Cristo, pois é em Cristo que todas elas foram concentradas em favor deles.
Por isto mesmo é que o apóstolo Paulo ao escrever que Deus nos tem abençoado com toda a sorte de bênção espiritual em Cristo Jesus (Ef. 1.3), logo em seguida ele começa a registrar as bênçãos espirituais que Deus em Cristo Jesus tornou possível aos homens, a saber: Deus nos escolheu em Cristo; Deus nos predestinou em Cristo para ele para sermos seus filhos; Deus nos redimiu em Cristo; Deus nos selou com o Espírito Santo por crermos em Cristo; Deus nos perdoou totalmente em Cristo; Deus nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo; Deus derramou abundantemente sobre nós sua graça em Cristo. Noutros escritos o autor sagrado informa que em Cristo estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3); que Cristo é a nossa paz ( Ef 2.14); que Cristo nos reconciliou com Deus (2 Co 5.18) etc. Ou seja, tudo mas tudo mesmo que Deus prometeu para o homem Ele disse SIM em Jesus Cristo, de modo que quem crê em Jesus Cristo experimenta ainda hoje e no futuro ainda mais a concretização plena das promessas de Deus.
Em razão disto Cristo é o SIM de Deus para o homem.
DIZENDO SIM A DEUS
Lembremo-nos de que no casamento o “sim” para realização das promessas deve ser dito por ambas as partes, pois se uma delas diz “não” as promessas não se realizam para nenhum deles.
Vimos no primeiro tópico que Deus fez promessas em favor dos homens e no segundo, que todas as boas promessas que Deus fez Ele as cumpriu em Jesus Cristo, de modo que Cristo se tornou o SIM de Deus para todos.
Mas é certo que para experimentar as bênçãos de Deus o homem precisa também dizer SIM a Deus.
E dizer SIM a Deus implica em confessar a Jesus Cristo como Senhor, recebendo-O como Salvador pessoal, arrependendo-se dos seus pecados e de todo o tempo que viveu rebelado contra Deus.
A Bíblia diz que todos aqueles que receberam a Cristo Deus lhes deu o poder de serem feitos seus filhos (Jo 1.14), e quem é feito filho de Deus goza de todas as suas promessas que em Jesus Cristo encontram-se presentes e acessíveis.
Não há como experimentar as promessas de Deus sem dizer “sim” ao SIM de Deus que é Jesus. Mas é igualmente certo que não deixará de experimentar todas as promessas de Deus aquele que disse “sim” ao SIM de Deus que é Cristo.
A mensagem do evangelho é um convite insistente ao homem para que diga “sim” a Cristo, de modo que unindo-se a Deus através dEle possa experimentar todas as suas promessas, tanto as presentes quanto as futuras.
Deste modo, para experimentar paz com Deus é preciso dizer “sim” a Cristo; para receber o Espírito Santo é necessário dizer “sim” a Cristo; para ser reconciliado com Deus é indispensável dizer “sim” a Cristo, e qualquer outra bênção de Deus para ser provada é preciso dizer “sim” a Jesus Cristo.
Conclusão.

As promessas de Deus, tais como: perdão dos pecados, justificação das transgressões, vida eterna,dom do Espírito Santo, direito de habitar os novos céus e a nova terra e tantas outras somente podem ser alcançadas quando você disser SIM a Deus em Cristo Jesus.
Se o sim para unir homem e mulher em casamento é dito diante do altar, o sim para unir o homem a Deus é dito diante da cruz onde Cristo foi morto por nossos pecados para que perdoados de todas as transgressões possamos viver e participar de Sua glória para sempre.
E convém que você saiba bem o alcance dessa decisão:
Primeiro, ao dizer SIM  você se une a Deus, conforme o apóstolo Paulo escreveu: mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele (1 Co 6.17). Enquanto o sim conjugal une você a outra pessoa, o SIM a Cristo une você a Deus;
Segundo, ao dizer SIM você passa a ter um relacionamento com Deus não de 60 ou 70 anos como é o tempo máximo que alguém pode experimentar no casamento, mas uma comunhão eterna pois aquele que Deus ama Ele ama com amor eterno (Jr 31.3) e,
Terceiro, ao dizer SIM a Deus você se une a Ele de maneira indissolúvel, pois enquanto na vida conjugal a morte dissolve a união dos cônjuges Paulo escreve que nem a morte, nem a vida, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer ouro coisa poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8.38-39).
Quando você disser SIM a Deus este será o dia mais marcante de sua vida, pois nada pode ser comparada a alegria de sentir-se unido a Deus em Cristo Jesus.
Portanto, diga SIM ainda hoje a Cristo e seja do Senhor para sempre.
 Lutero de Paiva Pereira


Como Deus é?

Embora Deus não mude e seja sempre o mesmo cada pessoa tem uma imagem ou impressão bem particular dEle que nem sempre coincide com a do outro. Menos ainda com imagem de Deus que Cristo revela aos homens.
No entanto, uma coisa é o que Deus é e outra bem diferente o que as pessoas pensam que Ele seja.
René Descartes, filósofo francês, quando analisa a formação do preconceito diz que é com “facilidade que nosso espírito se deixa levar pelas opiniões e idéias alheias, sem se preocupar em verificar se são ou não verdadeiras. São as opiniões que se cristalizam em nós sob a forma de preconceitos (colocados em nós por pais, professores, livros, autoridades) e que escravizam nosso pensamento, impedindo-nos de pensar e de investigar.”
Os preconceitos que se formam em relação a pessoas também se levantam em relação a Deus, e contra Ele até mesmo com maior intensidade pois dificilmente alguém vai conferir na Escritura se o Deus que lhe apresentaram é o mesmo que enviou Jesus Cristo ao mundo.
A conceituação errada sobre Deus vem da religião, da imaginação humana, da literatura, dos meios de comunicação e se aloja na mente humana para torturar o homem.
Com uma imagem distorcida de Deus as pessoas aumentam seu medo dEle e alimentam no coração uma rejeição à Bíblia como Sua palavra.
Esse Deus caracterizado de forma desvirtuada não se assemelha em nada ao Deus e Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o qual tem nos abençoado com toda a sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (Ef. 1.3).
Mas o que a Bíblia fala a respeito de Deus? Como ela O caracteriza? E mais, qual é a verdadeira revelação que Jesus Cristo faz de Deus?
Para responder a tais indagações é preciso entender o que o evangelista João quis dizer quando escreveu: Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou (Jo 1.18).
Este verso contém três máximas que precisam ser destacadas para compreensão integral de sua mensagem.
1.    Ninguém jamais viu a Deus.
A primeira máxima que o verso enfatiza é que ninguém jamais viu a Deus, ou seja, nenhuma pessoa jamais viu ou conheceu Deus pessoalmente.
A partir desta afirmativa já se pode dizer que nenhuma pessoa está habilitada o suficiente para falar de Deus, pois falar de alguém desconhecido é sempre um risco de apresentá-lo de forma incorreta.
Como o preconceito, conforme visto, se forma a partir de informações transmitidas por pessoas que não conhecem ou não conheceram aquele de quem falam, não é de admirar o preconceito que as pessoas têm sobre Deus.
Afinal, as pessoas conhecem Deus a partir de informações de outros que também não O conhecem, daí o grande problema.
Isto dá oportunidade à formação de idéias estranhas a Seu respeito, pois à medida que cada um fala de Deus, mesmo ignorando-O, Sua imagem vai sendo caracterizada de forma estranha na mente de quem ouve.
Se ninguém jamais viu a Deus, conforme João escreve, então ninguém está habilitado a falar dEle de forma correta e sem distorção.
2.     O Deus Unigênito conhece a Deus.
Da segunda máxima do verso de João vem a afirmativa de que o Deus unigênito está no seio do Pai.
Temos aqui o Deus Pai e o Deus Unigênito juntos, convivendo simultaneamente um com o outro de modo a terem conhecimento recíproco entre si. O Deus Unigênito vivendo com o Deus Pai sabe muito bem como Ele é, mesmo porque também é Deus como Deus é.
 A Bíblia ao utilizar-se da expressão Deus Unigênito está se referindo ao Filho de Deus, a saber, Jesus Cristo.
Esta parte do verso poderia ser dita nos seguintes termos: Jesus
Cristo, o Deus Unigênito, que está junto do Pai
e, portanto, conhece a Deus como Deus é.
 Cristo que esteve junto do Pai e O conhece como ninguém pois O viu como ninguém jamais O viu, de modo que Ele mesmo um dia orou: agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo (Jo 17.5).
Esta oração mostra a eternidade de Cristo com Deus, pois Ele fala da glória que Ele tinha com Deus antes que o mundo existisse, ou seja, antes que o mundo fosse criado.
Desta forma, como o Verbo que se fez carne foi o único que viu a Deus, e conheceu-O como ninguém Ele é o único que pode falar de Deus sem qualquer distorção.
3.    O Deus unigênito O revelou.
A terceira afirmativa do verso diz que O Deus Unigênito é quem o revelou, ou seja, aquele que esteve junto de Deus, referindo-se aqui a Jesus Cristo, porque viu a Deus, porque viveu com Ele, porque é como Ele é, desvenda ou revela Deus para que os homens possam conhecer Deus como Deus é.
Se os homens querem ter um conceito de Deus, uma caracterização correta a respeito dEle a única fonte límpida e correta para oferecer tal oportunidade é Jesus Cristo, o Filho Unigênito do Pai que tendo estado sempre com Ele pode torná-lo conhecido como Ele é.
Na carta aos Hebreus o autor ao se referir a Cristo diz que Ele é o resplendor da glória e a exata expressão do seu Ser (Hb 1.2), ou seja, Cristo é a expressão correta, exata, completa de Deus, de modo que quem conhece a Cristo conhece também a Deus.
Falando com um de seus discípulos Jesus disse: Quem vê a mim, vê ao Pai (Jo 14.9) e, ainda: Eu e o Pai somos um (Jo 10.30), o que aponta para sua perfeita identificação com Deus.
Sendo um com o Pai o falar de Jesus é o falar de Deus e o Seu agir o agir do Pai.
E da mesma forma que palavras e ações demonstram o que uma pessoa é, as palavras e as ações de Cristo registradas na Bíblia também revelam quem Deus é.
4.    Jesus revelando Deus em palavras e ações.
Jesus agindo é Deus agindo, Jesus falando é Deus falando e seu mistério na terra teve como razão revelar Deus aos homens.
Que tipo de obra Cristo realizou na terra? Que palavras Ele proferiu por aqui?
Se fosse utilizar de uma única palavra para caracterizar a obra de Cristo a palavra seria amor.
Do seu nascimento, passando por sua morte na cruz e depois por sua ressurreição, a vinda de Jesus teve como propósito demonstrar o amor de Deus e o Deus de amor que o enviou ao mundo.
 O evangelho registra: Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que enviou seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê, não pereça mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).
         A própria morte de Jesus na cruz tem como razão a prova do amor de Deus pelos homens: Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8).
Se Deus quis dar ao homem a vida eterna em lugar do perecimento eterno, isto teve por base o seu amor que Paulo diz que excede todo o entendimento (Ef 3.19).
Embora existam muitos exemplos nos evangelhos que apontam para o amor incondicional de Jesus pelos pecadores, mostrando o próprio amor de Deus por eles, basta registrar aqui um único momento em que sua bondade é claramente manifestada em favor de alguém.
O fato está registrado no capítulo 8, do evangelho de João.
Diz o texto que escribas e fariseus trouxeram à presença de Jesus uma mulher que havia sido flagrada em adultério.
Colocando-a no meio de todos para humilhá-la, para aumentar ainda mais sua vergonha e causar-lhe constrangimento, eles relatam o acontecido e perguntam a Jesus: na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes (Jo 8.5)?
Frente àquele cenário de julgamento e possível linchamento popular da mulher, Jesus se põe quieto inclinando-se para o chão. Os acusadores, no entanto, insistem na pergunta como que dizendo: “e daí, vamos apedrejar ou não vamos? Ela merece.”
Diante da pressão Jesus responde dando-lhes uma condição para iniciarem o apedrejamento que desejam executar. Ele diz: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra (v.7).
Surpreendidos e frustrados com a resposta, pois viram-se impossibilitados de preencher tal requisito para condenar o próximo, pois eram pecadores tanto quanto a mulher, foram saindo um a um  a começar pelos mais velhos (v.9), ficando somente Jesus e a mulher.
A condição imposta por Jesus era: só pode apedrejar quem nunca mereceu ser apedrejado ou, somente pode aplicar a pena da Lei quem nunca transgrediu a Lei.
Será que existe alguma pessoa que nunca feriu nenhum preceito da Lei santa de Deus? Alguém que nunca pecou?
A Bíblia responde: não há um justo sequer (Rm. 3.10) e ainda, todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23).
Portanto, todos os homens estão impossibilitados de aplicar a Lei de Deus sobre o seu semelhante porque todos são devedores a essa Lei.
É interessante notar, no entanto, que Jesus deu uma condição de apedrejamento que Ele mesmo podia cumprir e, então apedrejar a mulher.
 Afinal, Jesus estava sem pecado algum porque ele nunca pecou, pois dele já havia escrito o profeta: nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca (Isa 53.9).
Assim, como alguém que cumpriu integralmente a Lei de Deus Jesus podia aplicar a sua sanção condenatória sobre a mulher.
Jesus então pergunta à mulher sobre os acusadores, já que somente os dois restaram ali. Ao responder que todos foram embora a mulher certamente tem a expectativa de ser apedrejada Jesus por porque Ele tinha autoridade moral para fazer isto.
 No entanto, qual não é sua surpresa quando Jesus se volta para ela e diz: nem eu tampouco de condeno. Vai e não peques mais (v.11).
Assim, aquele que podia condenar, perdoou.
Quando Jesus disse – eu não te condeno – Ele estava nesta atitude fazendo a obra e cumprindo a vontade de Deus que é perdoar pecadores.
Quando Jesus não apedrejou é porque Deus não apedrejaria.
Que estranho. Normalmente as pessoas pensam que Deus tem mais prazer em apedrejar pecadores do que em perdoá-los.
E quando Jesus diz: vai e não peques mais, Deus estava dizendo à mulher para ir e viver em paz, mas que se afastasse do pecado porque o pecador rouba a paz.
Jesus estava demonstrando com isto o amor e a longanimidade de Deus para com os pecadores, um amor que está além da compreensão humana que é sempre condenatória.
Neste episódio Jesus revela o Deus que ninguém jamais viu, fazendo as pessoas terem um conceito correto a Seu respeito, ou seja, de que Deus é bondoso para com os pecadores, não querendo a sua condenação mas, pelo contrário, a sua salvação.  
Afinal, uma mulher perdoada gera mais prazer em Deus do que uma mulher apedrejada.
Ler os evangelhos é ver as atitudes e as palavras amorosas de Jesus reveladoras do amor de Deus para com homens e mulheres que não alimentavam nenhuma esperança em suas almas.
O evangelho é, de certa forma, provocativo para os homens porque as boas novas são sempre dirigidas as pessoas indignas, imperfeitas e imprestáveis, incomodando os que se acham justos aos seus próprios olhos.
Uma vez conversando com os fariseus Jesus provocou-os dizendo: publicanos e meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus (Mt 21.31). Noutras palavras, a bondade e o amor de Deus são de tal magnitude que no seu reino pessoas corrompidas em seus valores morais, como o caso aqui retratado por prostitutas e publicanos seriam alcançadas de tal forma pela graça restauradora que entrariam no reino antes mesmo dos dedicados religiosos.


Afinal, é na vida de homens e mulheres pecadores que a graça de Deus tem oportunidade de apresentar-se irresistível. Paulo escreve: onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5.20).
Conclusão
Este é o Deus que Jesus Cristo veio revelar e que você, por seus preconceitos certamente não O conhece.
Este é o Deus verdadeiro com o qual você poderá ter prazer em se relacionar, porque Ele ama perdoar pecadores e salvar perdidos.
Impressionado com as atitudes bondosas de Deus para com os pecadores João chega a caracterizá-Lo como amor, dizendo: Deus é amor (1Jo 4.8).
Jesus Cristo crucificado é prova maior do quanto Deus amou os pecadores, pois sua morte tem como objetivo reconciliar os homens com Ele.
Os pensamentos preconceituosos a respeito de Deus que o mundo lhe ofereceu, que a religião ratificou e que sua imaginação desenvolveu serão prontamente afastados do coração quando você olhar para Jesus Cristo, a revelação correta de Deus, o qual a Bíblia chama de o pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação (2 Cor 1.3).
Se você conhecer a Jesus Cristo, também conhecerá a Deus e vendo-O em Cristo sua resposta à pergunta: “Como Deus é?” outra não será senão “Deus é amor”. Você conhece Deus assim? Nao? Então você não conhece o Deus da Escritura.